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20 de outubro de 2011, às 20:42h

O Mestre do Quadrinho Nacional

Os EUA tem Walt Disney. O Japão tem Osamu Tezuka. E não é exagero dizer que o Brasil também tem seu gênio da Arte Sequencial – ou nona arte, referente às histórias em quadrinhos. Ele se chama Mauricio de Sousa e seus personagens formam um verdadeiro patrimônio da cultura pop nacional, cujas características e maneirismos são facilmente identificáveis e povoam o imaginário de crianças e adultos desde 1959, quando começaram a ser publicadas suas tirinhas no jornal "Folha da Manhã" (atual "Folha de S. Paulo"), onde trabalhava como repórter policial. Inicialmente eram apenas gags mudas estreladas pelo garoto Franjinha – mais tarde um cientista de invejável criatividade – e seu cãozinho Bidu, que se tornou símbolo do estúdio Mauricio de Sousa Produções, fundado para administrar o trabalho daquele jornalista que se tornara cartunista.

Nascido em Santa Isabel (SP) no dia 27 de outubro de 1935, filho do poeta e barbeiro Antônio Mauricio de Sousa e da poetisa Petronilha Araújo de Sousa – e irmão de Mariza, Maura e Marcio -, Mauricio sempre valorizou a veia artística herdada dos pais, e sua paixão pelo desenho foi determinante quando decidiu deixar as páginas policiais da "Folha da Manhã" e dar vida a uma longa e notável linhagem de personagens como o menino Cebolinha, o fantasma Penadinho, o caipira boa-praça Chico Bento, o dinossaurinho Horácio e o homem-das-cavernas Piteco, todos surgidos em páginas semanais de tiras, que ao final de dez anos foram distribuídas para mais de 200 jornais brasileiros.

 

 

O êxito comercial cresceria nos anos seguintes, conforme a "família" de personagens que pipocavam da mente inquieta de Mauricio aumentava e conquistava cada vez mais leitores pelo país. Em 1963 foi criada a líder de toda essa turma: inspirado em sua filhinha Mônica, Mauricio deu vida à simpática baixinha, gorducha e dentuça – no bom sentido, claro! – que habita o pacato Bairro do Limoeiro, onde se diverte com a amiga comilona Magali e dá uma lição no "tlavesso" Cebolinha e no aquáfobo Cascão sempre que a dupla tenta pôr em prática os "planos infalíveis" de dar nós no coelho de pelúcia da garota, Sansão. Com um time de protagonistas tão carismáticos e de personalidades tão marcantes e reconhecíveis, a Turma da Mônica logo se tornou o maior sucesso de Mauricio de Sousa, tendo uma tiragem de 200 mil exemplares em sua primeira revista de quadrinhos, lançada pela editora Abril em 1970.

 

 

O sucesso impulsionou não apenas a produção de gibis próprios para outros personagens – como Cebolinha, Cascão, Magali, Chico Bento e até Pelezinho, inspirado no nosso Rei do futebol – como também estimulou Mauricio a criar novos integrantes da turminha através das décadas, sempre tendo em mente algum de seus dez filhos ou amigos de infância. E assim surgiram Nimbus, Do Contra, Dudu, Vanda, Valéria e Marina, por exemplo. Recentemente, outro craque do futebol, Ronaldinho Gaúcho, ganhou sua própria revistinha e passou a reforçar o time de personagens da Mauricio de Sousa Produções.

Inquieto, Mauricio ainda ingressou no mundo da animação, numa época em que o Brasil ainda não contava com grandes recursos para produzir seus próprios desenhos animados. O curta-metragem "Natal Para Todos Nós", lançado em 1977, foi um marco na história da animação nacional e embalou os sonhos de muitas crianças ao longo dos Natais da década de 80, com exibições pela Rede Globo. A estreia na produção de longa-metragens ocorreu em 1982 com "As Aventuras da Turma da Mônica", que teve custo total de 100 milhões de cruzeiros e abriu caminho para o desenvolvimento de novos filmes e de uma série de televisão que já está na 12ª temporada, atualmente exibida pela TV Globo e pelo canal pago Cartoon Network.

 

 

 

 

 

 

O pioneirismo de Mauricio de Sousa também pôde ser notado na construção do grandioso Parque da Mônica, erguido em 1993 no Shopping Eldorado, em São Paulo. Em fevereiro de 2010, o parque teve de ser fechado, mas o pai da turminha tratou de acalmar a criançada e declarou que já existem planos de reabrir o empreendimento em outro local.

O reconhecimento nacional estimulou a exportação da marca Turma da Mônica, considerada a mais licenciada no Brasil. Atualmente, a turminha tem produtos licenciados em 40 países – como Itália, Estados Unidos, Espanha e Indonésia – e seus gibis já foram traduzidos para 14 idiomas. Uma influência que promete se estender até mesmo na educação da China, onde a Mauricio de Sousa Produções exibirá, a partir de setembro de 2010, uma série animada com Mônica e sua turma para auxiliar na alfabetização infantil do país, em parceria com o governo chinês. Mais uma iniciativa louvável que comprova a força e o empreendedorismo do quadrinista brasileiro no exterior.

Por falar em empreendedorismo, desde que migrou suas publicações da editora Globo (onde ficou de 1987 a 2007) para a multinacional Panini, Mauricio tem conseguido conquistar novos públicos e velhos leitores, seja por meio da controversa, porém inquestionavelmente bem-sucedida "Turma da Mônica Jovem" – série mensal que mostra os personagens da turminha adolescentes, desenhados sob a estética do mangá, o quadrinho japonês -, seja pelo relançamento periódico de antigas edições "clássicas" de seu catálogo e pelo projeto "MSP 50", coletânea lançada no ano passado – com uma segunda edição a caminho – que celebrou os 50 anos de carreira de Mauricio reunindo ilustrações e historietas de vários quadrinistas brasileiros estreladas por versões autorais da turminha. Nostalgia para deliciar os leitores adultos, renovação para se manter na preferência da garotada.

Depois de colecionar prêmios nacionais e internacionais (como o italiano Yellow Kid de 1971) ao longo de 50 anos de carreira, Mauricio de Sousa não precisa provar por que é um dos maiores ícones da cultura pop brasileira. Muitos marmanjos cresceram lendo historinhas da Turma da Mônica e várias outras crianças ainda serão estimuladas a alimentar o hábito da leitura com as aventuras deliciosamente ingênuas dos diversos personagens criados pelo célebre jornalista que virou cartunista. Parece não haver limites para os projetos profissionais de Mauricio, que prometem recuperar cada vez mais a imagem da Turma da Mônica do fundo do inconsciente coletivo brasileiro e mostrar que esses personagens ainda tem muito a dizer – e a brincar.

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