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8 de dezembro de 2010, às 14:00h

Os Flintstones

Yabba Dabba Doo!

Quem não conhece esse grito eufórico que tanto alegrou (e ainda alegra) crianças (e adultos) em calmas manhãs (ou noites) em frente à TV? A série animada "Os Flintstones", que completa 50 anos de lançamento em 2010, é sem dúvida uma das mais populares produções dos estúdios Hanna Barbera – fundado em 1944 pelos cartunistas norte-americanos William Hanna e Joseph Barbera.

Estrelada por uma turma de personagens divertidos e carismáticos, "Os Flintstones" foi ao ar pela primeira vez no dia 30 de setembro de 1960 na rede de TV norte-americana ABC, narrando as situações cômicas do dia-a-dia da família Flintstone e seus vizinhos, os Rubble, na pacata cidade de Bedrock. A peculiaridade da série, porém, é a época em que se transcorrem as histórias – a longínqua Idade da Pedra.

Este é um dos maiores trunfos da série: o humor destilado nas trapalhadas cotidianas de Fred Flinstone e Barney Rubble fascina crianças e adultos pela forma com que os roteiristas conseguiram transpor questões – e tecnologias – do estilo de vida moderno para a rotina anacrônica de personagens que, ao mesmo tempo em que moram em cavernas, convivem com dinossauros e vestem trapos feitos com o que parece ser pele de mamíferos selvagens, assistem à televisão e andam de carro – apesar deste ser movido com os pés dos passageiros. A grande sacada de "Os Flintstones" é fazer uma cômica projeção reversa de como viveríamos na Idade da Pedra – incluindo a domesticação de animais que poderiam ser ameaçadores como pterodáctilos e mamutes -, tomando a liberdade de incluir o uso de certas tecnologias que só seriam criadas eras mais tarde. O resultado é uma criativa paródia das prerrogativas e dos costumes do homem moderno, algo parecido com o êxito obtido por outra grande obra de Hanna-Barbera, "Os Jetsons". Neste caso, porém, foi feita uma projeção da vida cotidiana no arquetípico futuro imaginado pela cultura pop, incluindo carros voadores e robôs para uso doméstico.

Apesar de transbordar conceitos interessantes, a ideia por trás de "Os Flintstones" não é tão original. O próprio William Hanna admitiu que se inspirou no seriado "The Honeymooners" para criar os casais Fred e Wilma Flintstone e Barney e Betty Rubble. Além disso, algumas piadas foram emprestadas de outra animação, a "Stone Age Cartoons", como o uso de jornais feitos de pedra e de animais pré-históricos como eletrodomésticos. Influências à parte, Fred, Wilma, Barney, Betty, o dócil mascote Dino e os bebês Pedrita e Bambam conquistaram público de todas as idades em 80 países. "Os Flintstones" foi dublado em 22 idiomas.

A maior – talvez única – controvérsia em que a série se envolveu em seus 166 episódios originalmente produzidos foi a veiculação da propaganda da marca de cigarros Winston nos primeiros capítulos, quando o programa era voltado para o público adulto (Fred e Wilma apareciam fumando nos créditos finais dos episódios). Mas a partir da terceira temporada, "Os Flintstones" mudou seu público-alvo para jovens e crianças, e com a adição dos bebês Bambam e Pedrita entre os personagens, o principal anunciante da série passou a ser a marca de sucos Welsh's e os episódios seguiram uma orientação mais familiar.

- PERSONAGENS -

Relembre abaixo os personagens principais de "Os Flintstones":

- Fred Flintstone: Este bonachão trabalha como "operador de dinossauro" na Slaterock Gravel Company, gerida pelo Senhor Pedregulho. Sua comida preferida é o Brontoburguer (hambúrguer de brontossauro). Ele é casado com Wilma Flintsone e juntos tem uma filha, Pedrita. Ele é o dono da inconfundível expressão "Yabba Dabba Doo".

- Wilma Flintstone: Dona-de-casa, já pensou em trabalhar fora, mas seu marido Fred é contra a ideia.

- Barney Rubble: Melhor amigo de Fred, acompanha o protagonista em suas peripécias, sempre a contragosto. É casado com Betty, com quem cria o filho adotivo Bambam.

- Betty Rubble: Esposa de Barney, Betty sempre se junta a Wilma para tirar os homens de enrascadas.

- Bambam Rubble: filho adotivo de Barney e Betty (foi deixado à porta da casa dos Rubble quando bebê). Possui grande força e é apaixonado por Pedrita desde criança.

- Pedrita Flintstone: filha de Fred e Wilma, casa-se com Bambam quando cresce.

- Dino: Dinossauro domesticado, mascote da família Flintstone. É dócil como um cãozinho.

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5 de novembro de 2010, às 10:00h

Nordeste Sem Fronteiras – Luiz Gonzaga

 

 

 

Luiz Gonzaga do Nascimento veio ao mundo em 13 de dezembro de 1912, numa fazenda da zona rural de Exu, no estado de Pernambuco. O pai do menino, seu Januário José Santos, trabalhava como lavrador num latifúndio e tocava uma sanfona de oito baixos nos tempos vagos. Foi através deste instrumento que o pequeno Luiz despertaria interesse pela música e, após aprender a tocar com o pai, passaria a se apresentar em feiras e bailes antes mesmo de chegar à adolescência. Já aos 18 anos, um fato inusitado transformaria os rumos de sua vida: Luiz Gonzaga se apaixona por Nazarena, uma garota da região, mas o pai dela, um coronel, não aprova o romance. Enfurecido, o jovem chega a ameaçá-lo de morte. Ao saber do ocorrido, seu Januário aplica uma surra no filho que, revoltado e desiludido, foge de casa e ingressa no exército em Crato, no Ceará.

 

 

 

Servindo como voluntário, Luiz Gonzaga atravessa o Brasil viajando por diversos estados, até que em Juiz de Fora (MG) reencontra o instrumento que tanto o fascinou na infância ao conhecer Domingos Ambrósio, soldado e sanfoneiro, que lhe dá lições musicais bastante importantes para a definição do futuro profissional do jovem pernambucano. Decidido a investir numa carreira artística, Luiz Gonzaga deu baixa do Exército em 1939, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Com uma sanfona recém-comprada, ele passou a se apresentar em ruas, cabarés e bares cariocas, tocando boleros, valsas, choros, tangos e sambas. Percebendo a saudade dos migrantes nordestinos pela música característica de sua região, Luiz Gonzaga passou a compor canções explicitamente regionalistas, como os chamegos “Pés de Serra” e “Vira e Mexe”, o que lhe garantiu um contrato com a Rádio Nacional após uma aplaudida apresentação no programa de Ary Barroso. A partir de então, o pernambucano começou a se popularizar como atração radiofônica, difundindo a música e a cultura nordestina como nenhum outro artista havia feito até aquele momento.

 

 

 

 

 

 

A fama crescente de Luiz Gonzaga no cenário musical brasileiro lhe rendeu tanto prestígio que ele foi convidado na década de 40 para trabalhar como sanfoneiro na gravação de discos de outros artistas. Posteriormente foi contratado pela Rádio Clube do Brasil e pela Rádio Tamoio, nas quais se apresentava como solista. Assumindo a nordestinidade, Luiz Gonzaga se tornou um ícone do forró, um autêntico representante do cancioneiro popular nordestino, e passou a se caracterizar como vaqueiro, com direito a um chapéu de couro que logo se tornou símbolo de sua música. Sob a alcunha de Rei do Baião, Gonzagão narrava para todo o Brasil ouvir as dores, os anseios e as esperanças de um povo muitas vezes ignorado pelas elites do sul.

 

 

 

 

 

 

Aos poucos, conquistando cada vez mais respeito e espaço na mídia nacional como instrumentista, o sanfoneiro também se arriscou a compor e cantar suas próprias músicas, que transitavam entre xaxados, baiões e cocos, todos popularizados através de seus discos e suas apresentações. As parcerias de Gonzagão com Miguel Lima e Humberto Teixeira criaram canções eternizadas na voz marcante do pernambucano, como “Penerô Xerém”, “Dezessete e Setecentos”, “Baião de Dois”, Paraíba”, “Juazeiro”, e “Asa Branca”, uma espécie de hino do Nordeste, uma crônica atemporal sobre as dificuldades do sertanejo na escassez do semi-árido brasileiro. Gravada em 1947, “Asa Branca” teria várias versões nas vozes de outros artistas.

 

 

 

 

 

 

Em 1945, nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, filho de Gonzagão com a cantora e dançarina Odaléia Guedes. Com música nas veias, Gonzaguinha também iria enveredar pela carreira artística, tornando-se um prestigiado cantor de MPB. Três anos depois, o sanfoneiro se casaria com a professora Helena Cavalcanti.

 

 

 

 

 

 

Em 1950, Luiz Gonzaga firmou parceria com Zé Dantas, com quem compôs sucessos como “Cintura Fina”, “O Xote das Meninas”, “ABC do Sertão”, e “A Volta da Asa Branca”, que caracterizaram sua fase áurea na cena musical brasileira, quando o baião estourou em todo o país. Porém, com a ascensão da bossa nova, a agenda de shows do sanfoneiro se deslocou para o interior, onde sua popularidade nunca declinou. Nos anos 70, a carreira de Gonzagão ganhou fôlego com regravações de canções suas por jovens músicos como Gilberto Gil, Geraldo Vandré e Caetano Veloso, que não escondiam influências do Rei do Baião em suas composições. Na década de 80, a popularidade do sanfoneiro tomou novo impulso através de duetos com Fagner, Dominguinhos, Milton Nascimento, Elba Ramalho e até com seu filho Gonzaguinha na canção “A Vida do Viajante”. Em 1984, o reconhecimento por sua obra viria na forma de um disco de ouro pelo álbum “Danado de Bom”.

 

 

 

Com 56 discos gravados e mais de 500 composições próprias, Luiz Gonzaga morreu no dia 2 de agosto de 1989 no Recife, vítima de parada cardiorrespiratória. Suas músicas abriram os olhos do Brasil para as alegrias e tristezas do povo nordestino e seu legado permanece vivo no DNA musical da região.

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5 de novembro de 2010, às 09:05h

Nordeste Sem Fronteiras – Jackson do Pandeiro

 

 

 

No dia 31 de agosto de 1919, nascia, em Alagoa Grande (PB), aquele que se tornaria o maior ritmista da história da música popular brasileira. José Gomes Filho despontou do interior da Paraíba para o mundo, levando suingue, rimas irreverentes e a mistura de ritmos nordestinos sob o pseudônimo de Jackson do Pandeiro.

 

 

 

A carreira artística de José começou a engatinhar quando o músico, ainda garoto, tocava zabumba no grupo que acompanhava sua mãe, a cantora Flora Mourão. O apelido de Jack foi dado por ela, porque achava o filho parecido com o ator norte-americano Jack Perry. Aos 13 anos, o jovem Jack se muda com a família para Campina Grande, onde passou a ter contato cada vez mais próximo com os cantadores de coco e os violeiros, que animavam as feiras livres e fascinavam o olhar atento do garoto de Alagoa Grande.

 

 

 

Percebendo que levava mais jeito com o pandeiro do que com a zabumba, Jackson viaja pelas redondezas com seu instrumento inseparável em busca de sucesso e reconhecimento. Em sua passagem por João Pessoa, nos anos 40, ele adota o pseudônimo Zé Jack, e consegue certa projeção local tocando em rádios e cabarés da capital paraibana. Já nos anos 50, o músico chega no Recife, no estado vizinho de Pernambuco, onde finalmente alcançaria a fama. Apresentando-se na Rádio Jornal do Comércio, Zé Jack é aconselhado a adotar o nome artístico de Jackson do Pandeiro, que causaria maior impacto e chamaria mais atenção quando fosse anunciado. Foi então que em 1953, aos 35 anos, o paraibano grava seu primeiro compacto, que trazia o contagiante xote “Sebastiana”, de Rosil Cavalcanti. Nessa gravação, já era possível notar características que permeariam toda a obra de Jackson, como as improvisações de vocalizações com tempo variado numa mesma música. Com o enorme sucesso do rojão “Forró no Limoeiro”, de Edgar Ferreira, o ritmista se firma como um dos grandes fenômenos musicais no Norte e Nordeste do país, conquistando cada vez mais admiradores, encantados com a criatividade, a virtuosidade e a ousadia daquele genuíno artista popular.

 

 

 

Já desfrutando do sucesso como revelação musical nordestina, Jackson do Pandeiro conhece Almira Castilho de Albuquerque, uma ex-professora que cantava mambo e dançava rumba no Recife. Os dois iniciam um relacionamento amoroso, e ela passa a acompanhá-lo em suas performances, revelando uma admirável desenvoltura nos palcos. Os dois se casariam em 1956 e iriam juntos ao Rio de Janeiro, onde fizeram apresentações em programas de TV e rádio, com passagem em São Paulo. Naquele momento, o Brasil inteiro se deliciava com o Rei do Ritmo e seu estilo único – uma mistura bem-humorada de xote, xaxado, baião, coco, rojão, samba e frevo, que levava a essência da cultura do Nordeste para o resto do país. Não é à toa que, ao lado de Luiz Gonzaga, a majestade nordestina da música brasileira, Jackson contribuiu bastante para a nacionalização de elementos típicos do cancioneiro nordestino.

 

 

 

 

 

 

Depois de firmar seu sucesso em nível nacional com sucessos de grande apelo popular como a embolada “Um a Um” e “O Xote de Copacabana”, o Rei do Ritmo decide morar no Rio de Janeiro com sua esposa Almira, e acaba assinando um contrato com a Rádio Nacional. Na Cidade Maravilhosa, o paraibano demonstra toda a sua versatilidade ao gravar marchinhas carnavalescas como “Me Segura que Eu vou Dar um Troço”, hit no carnaval de 62. Com seu inseparável pandeiro e seu talento inigualável, Jackson conseguiu unir com maestria a malandragem do samba com o suingue das emboladas e dos cocos.

 

 

 

Com o sucesso absoluto nos quatros cantos do Brasil, Jackson e Almira chegaram até a fazer algumas participações em filmes de projeção nacional como “Tira a mão dali”, “Cala Boca Etevilna” e “Minha Sogra É da Polícia”.

 

 

 

Um dos maiores sucessos da discografia do Rei do Ritmo foi “Chiclete com Banana”, que na década de 70, em plena época do movimento tropicalista, foi regravada por Gilberto Gil no disco “Expresso 2222″. A canção, composta por Jackson e o parceiro Gordurinha, defende a diversidade da música nacional (“quero ver o Tio Sam numa batucada brasileira”, diz um dos versos). Outra composição da dupla, o samba-coco “Meu Enxoval”, também seria imortalizada na história da música popular brasileira.

 

 

 

Depois de se desentender e se divorciar de sua esposa Almira, sobreviver à explosão da Jovem Guarda no cenário musical e ter sua genialidade redescoberta pelos artistas da Tropicália, Jackson do Pandeiro atravessa os anos 70 com shows pelo Brasil, mas apesar da apreciação da crítica especializada, não consegue se firmar como astro da MPB, tendo seu nome ligado apenas aos períodos de festas juninas. Em 1981, grava o último de seus mais de 30 álbuns em 29 anos de carreira: “Isso é que é forró”. No ano seguinte, mais precisamente no dia 10 de junho de 1982, o Rei do Ritmo morria em decorrência de uma embolia pulmonar e cerebral em Brasília, em plena turnê pelo país.

 

 

 

 

 

 

“Costumo sempre dizer que o Gonzagão é o Pelé da música e o Jackson, o Garrincha”, disse certa vez o músico pernambucano Alceu Valença. O legado musical deixado pelo Rei do Ritmo, além de ter exportado a cultura nordestina para o mundo, influenciou muitos artistas que estão na ativa, como Lenine, Paralamas do Sucesso, Chico Buarque, Elba Ramalho, Chico César, Leila Pinheiro, Tom Zé e Geraldo Azevedo. Todos esses nomes já regravaram canções de Jackson, que desde seu falecimento é lembrado com carinho especialmente pelos paraibanos, orgulhosos da trajetória brilhante de seu conterrâneo ilustre.

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4 de novembro de 2010, às 09:10h

Nordeste Sem Fronteiras – Marinês

 

 

 

Inês Caetano de Oliveira veio ao mundo em 16 de novembro de 1935 na cidade de São Vicente Férrer, sertão do estado de Pernambuco, e já trazia música no sangue – seu pai, Manoel Caetano de Oliveira, era seresteiro, e sua mãe, Josefa Maria de Oliveira, era cantora de igreja. Logo na infância, a pequena Inês se mudou com a família para Campina Grande, na Paraíba, e foi lá que a garotinha desenvolveu seu gosto pela música e começou a profissionalizar seu talento.

 

 

 

Desde cedo, Inês se encantou com a obra de Luiz Gonzaga, o maior nome da música regionalista nordestina. Veiculadas pelas difusoras de Campina Grande, canções como “Asa Branca”, “Qui Nem Jiló” e “No Ceará Não Tem Disso Não” apresentavam à menina o universo do imaginário sertanejo e da cultura popular ao qual ela tanto se identificava. A partir dos 10 anos, Inês começou a estimular sua paixão pelo canto se inscrevendo em concursos locais de calouros. Para fugir da vigilância dos pais, a garota participava das competições com o nome Maria Inês. Certa vez, ao ser anunciada como Marinês por um locutor, a jovem acaba por adotá-lo como nome artístico, que carregaria por toda a vida.

 

 

 

Após largar os estudos por falta de dinheiro, Marinês se arrisca no mundo das rádios, confiante no potencial vocal que aflorava em sua mocidade e levando consigo um currículo bem-sucedido de participações em concursos musicais. Ingressando na tradicional rádio Voz da Democracia, do bairro da Liberdade, Marinês logo conquista o papel de locutora. A partir de então, ganhando fama e reconhecimento no meio, a cantora passa pelas rádios A Voz de Campina Grande, Cariri e Borborema, demonstrando talento e desenvoltura com seu canto afinado. Em 1952, inicia um relacionamento amoroso com o sanfoneiro Abdias Farias, com quem se casa tempo depois e forma uma parceria profissional que seria batizada de “Casal da Alegria” por uma apresentadora da Rádio Difusora de Alagoas. Ao lado do marido, a aprendiz de Luiz Gonzaga seguia os passos do mestre, levando forró e xaxado para fora dos limites da Paraíba, contagiando o Nordeste com seu carisma.

 

 

 

Convidados para trabalharem na Rádio Iracema, de Fortaleza, Marinês e Abdias viajam ao Ceará, onde conhecem o zabumbeiro Cacau, um velho companheiro de Luiz Gonzaga que procurava oportunidade para ganhar dinheiro com o seu instrumento. Assim, no início dos anos 50, Cacau se une a Marinês e Abdias para formar a Patrulha de Choque do Rei do Baião, destinada a explorar o repertório de grandes nomes da música regional como Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. A partir de então, o trio forrozeiro ganha a região: Marinês no triângulo, Abdias na sanfona e Cacau na zabumba passaram a fazer, espontaneamente, apresentações nas cidades nordestinas onde o Rei do Baião tocaria. A fama da entrosada Patrulha de Choque chegaria aos ouvidos do próprio homenageado, ao qual foi descrito que Marinês era um “Gonzaga de saias”.

 

 

 

O encontro entre Gonzagão e o trio não demoraria a acontecer: a cidade de Propriá, no Sergipe, foi palco do inesquecível momento em que aquela sonhadora cantora de forró conheceria pessoalmente sua maior influência artística. Marinês recorda: “Luiz Gonzaga já estava sabendo que tinha essa cangaceirinha, como ele me chamava, cantando as músicas dele. Ele disse: eu vou lhe ensinar a dançar xaxado porque eu estou precisando de uma rainha do xaxado. Aí ele foi dançar comigo”. Daquele momento em diante, o Rei do Baião se comprometeria a apoiar a Patrulha de Choque, divulgando o trabalho do trio pelo Brasil afora.

 

 

 

 

 

 

Além de conhecer e se apresentar pelas rádios do país ao lado do ídolo, Marinês é oficialmente coroada Rainha do Xaxado pelo próprio Rei do Baião, e a Patrulha de Choque se incorpora temporariamente ao grupo “Luiz Gonzaga e Seus Cabras da Peste”. Em 1957, ao lado de seus inseparáveis companheiros Abdias e Cacau, a cantora grava seu primeiro disco sob o nome de “Marinês e Sua Gente”, com o qual se consagraria definitivamente como um dos maiores nomes do forró e da música nordestina. A sequência de sucessos construiu uma discografia impecável ao longo de sua trajetória artística: canções como os xotes “Peba na Pimenta” e “Pisa na Fulô”; os baiões “Aquarela Nordestina”, “Perigo de Morte” e “Saudade de Campina Grande”; o xaxado “História de Lampião”; a polca “Chegou São João”; os cocos “Gírias do Norte” e “Cadê o Peba”; e as modas de roda “Marinheiro” e “Meu Beija-Flor” encantaram plateias de todo o Brasil, inclusive o fidelíssimo público nordestino, que lotava cinemas, estações de rádio e auditórios para ver a Rainha do Xaxado cantar músicas contagiantes que entrariam para o cancioneiro popular regional.

 

 

 

Atravessando a produtiva década de 60 com participações em filmes e prêmios importantes – como os troféus Euterpe de Melhor Cantora Regional e Melhor Vendagem pelo LP “Outra Vez Marinês”, de 1961 -, a cantora chega aos anos 70 sustentando uma prestigiada parceria com o poeta e compositor Antônio Barros, que colaboraria com uma média de quatro músicas por álbum, como o forró “Na Peneira do Amor” e “Amor Sem Fim”. Outra boa surpresa da década foi o flerte de Marinês com o carimbó, ritmo oriundo do Norte brasileiro que fez grande sucesso por todo o país. “Carimbó do Marajó”, “Carimbó da Vovó Sinhá” e “No Laço do Carimbó” foram canções que adicionaram o suingue nortista ao já eclético repertório da Rainha do Xaxado. Foi em 1976 que Marinês se separou de Abdias, mas os dois continuariam sua parceria profissional nos discos seguintes.

 

 

 

 

 

 

Os anos 80 seriam marcados por mais sucessos de enorme popularidade – como o álbum “Bate Coração” – e parcerias ilustres – como Zé Ramalho e Gilberto Gil. A década seguinte é marcada pelo disco-tributo “Marinês e Sua Gente”, que comemorou 50 anos de carreira da Rainha do Xaxado com produção da aluna Elba Ramalho e reuniu duetos com 13 grandes artistas brasileiros, como Dominguinhos, Ney Matogrosso, Lenine, Chico César, Genival Lacerda, Margareth Menezes, Alceu Valença e Moraes Moreira. Já em 2005, a cantora seria homenageada novamente com um super-projeto: o CD “Marinês Canta a Paraíba” teve patrocínio do governo paraibano e trazia, além de canções com participação da Orquestra Sinfônica da Paraíba, um libreto com imagens e depoimentos de nomes como Paulinho da Viola, Gilberto Gil e Tetê Espínola.

 

 

 

 

 

 

Maria Inês Caetano de Oliveira morreria aos 71 anos em 14 de maio de 2007, após sofrer um acidente vascular cerebral, num hospital do Recife. Artistas de todas as vertentes da música popular brasileira lamentaram profundamente a perda. Gilberto Gil, então Ministro da Cultura, divulgou nota no mesmo dia: “O Brasil perdeu hoje sua rainha do forró, a primeira grande cantora nordestina que aparece nos anos 50, inaugurando um ciclo de ouro da “voz feminina na música do Nordeste”.


 

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3 de novembro de 2010, às 09:40h

Nordeste Sem Fronteiras – Sivuca

 

 

 

Oriundo de uma família de sapateiros e agricultores da cidadezinha de Itabaiana, na Paraíba, Severino Dias de Oliveira nasceu no dia 26 de maio de 1930. Já em sua humilde infância, o garotinho demonstrou afinidade com a música quando, aos nove anos de idade, começou a tocar sanfona em feiras, festas populares e batizados. Aos 15 anos, dono de um talento notoriamente precoce, Severino se mudou para o Recife, capital pernambucana, onde participou de um programa de calouros na Rádio Guararapes com performances das canções “Tico-tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu e Eurico Barreiros, e “In The Mood”, de Joe Garland e Andy Razaf. Descoberto pelo maestro Nelson Ferreira, o jovem paraibano deu início à sua carreira profissional trabalhando na Rádio Clube de Pernambuco, na qual adotou o nome artístico de Sivuca.

 

 

 

Em 1948, aos 18 anos, Sivuca se tornaria aluno do maestro Guerra-Peixe, que lhe ensinou as técnicas de arranjo e composição musical. O jovem paraibano se especializava cada vez mais na arte de fazer música, e naquele mesmo ano seria contratado pela Rádio Jornal do Comércio. Não demorou muito tempo para Sivuca lançar sua estreia oficial no mercado fonográfico brasileiro: seu primeiro disco foi gravado em 1950, numa parceria com Humberto Teixeira, e trazia um hit imediato – a música “Adeus, Maria Fulô”, regravada em versão psicodélica no ano de 1968 pela banda Os Mutantes.

 

 

 

Anos depois, em abril de 1955, Sivuca partiu para morar no Rio de Janeiro, já desfrutando do reconhecimento em nível nacional como exímio acordeonista. Na Cidade Maravilhosa, o paraibano trabalhou como artista contratado da TV e Rádio Tupi durante três anos, lançando o choro “Homenagem à Velha Guarda” e a polca “Pulando num pé só”, de Edvaldo Pesosa. Em 1958, o talento de Sivuca o leva até a Europa pela primeira vez, onde se apresenta tocando sanfona com o grupo Os Brasileiros, formado para divulgar a MPB fora do país através de nomes como o Trio Iraquitã, Abel Ferreira e Dimas. Depois de se juntar a outra banda, Brasília Ritmos, por três meses, Sivuca lançou seu primeiro álbum europeu pela gravadora Valentin de Carvalho. Ele chegou inclusive a morar em Lisboa e posteriormente em Paris, onde ficou por quatro anos fazendo shows e produzindo outros discos como o aclamado “Rendez-vouz a Rio”, que lhe garantiu o prêmio de melhor músico de 1962 pela imprensa francesa. O músico paraibano finalmente abraçava o mundo ao som melódico do seu instrumento favorito.

 

 

 

Em 1964, Sivuca se aventura pelo badalado e eclético cenário musical de Nova York, nos EUA, onde assume a direção musical nos discos de Miriam Makeba, cantora sul-africana mundialmente conhecida pelo hit “Pata-pata”, que teve o acordeonista paraibano como arranjador instrumentista. Ao lado de Miriam, Sivuca excursiona por Ásia, África, Europa e Américas, lançando obras na Suécia e no Japão e aproveitando para desfrutar de uma memorável visita à Escandinávia, sobre a qual relatou: “Lembro bem da minha primeira chegada à terra dos vikings. Achei um povo muito parecido comigo, na cor alva da pele e no gosto pelo acordeão. Fui logo tratado por eles como irmão. Foi em Copenhagen, em 67, no Varieteen Teather, no Tivoli, numa turnê ao lado da grande dama da música africana, minha dileta amiga Miriam Makeba”. Em 1969, o paraibano assume a direção do musical “Joy”, para o qual compôs a canção “Mãe África” e através do qual fez shows pelos EUA. Em 1975, firmou parcerias produtivas com nomes internacionalmente conhecidos, como Hermeto Pascoal, Paul Simon e Betty Midler.

 

 

 

Sivuca foi casado com a compositora Gloria Gadelha, com quem também produziu diversas músicas, inclusive “Feira de Mangaio”, um dos maiores clássicos do forró popularizado e imortalizado na voz de Clara Nunes. Em 1978, o álbum “Meus Amigos São um Barato” trouxe outra conhecida canção do acordeonista: “João e Maria”, fruto de uma parceria com Chico Buarque, que ainda contou com participação de Nara Leão nos vocais. “No Tempo dos Quintais”, outra pérola da discografia de Sivuca, traria a participação de Fagner no disco “Cabelo de Milho”, de 1980. O músico ainda seria responsável pelas trilhas dos filmes “Os Trapalhões na Serra Pelada” e “Os Vagabundos Trapalhões”, ambos de 1982.

 

 

 

A fama de Sivuca na Suécia se intensificaria a partir de 1984, quando o paraibano se juntaria a nomes como a cantora sueca Sylvia Vrethammar e o gaitista belga Toots Thielemans para lançar projetos como “Som Brasil”, “Rendez-vouz in Rio” e “Chico’s Bar – Sivuca e Toots Thielemans”.Em 1999, Sivuca e outros paraibanos ilustres, como Elba Ramalho e Herbert Vianna, desfilaram na Sapucaí pela escola de samba Unidos de Vila Isabel, cujo enredo homenageava a cidade de João Pessoa, capital da Paraíba.

 

 

 

 

 

 

O talentoso instrumentista lançou, em 20 de novembro de 2006, o DVD “Sivuca – O Poeta do Som”, um grande tributo aos seus 75 anos de vida, trazendo 160 artistas convidados em 13 canções. A gravação também contou com a participação da Orquestra Sinfônica da Paraíba. O espetáculo histórico seria seu último trabalho, já que em 14 de dezembro de 2006, Sivuca morreria após dois dias internado para tratar de um câncer na laringe. O músico deixou a esposa e parceira profissional Gloria Gadelha, a filha Flavia, os netos Lirah, Lívia e Pedro e os milhões de admiradores mundo afora, que se deixaram conquistar pela sua hipnotizante intimidade com a sanfona.

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20 de outubro de 2010, às 09:00h

Rita Lee – Cor de Rosa Choque

 

 

 

Nascida no dia 31 de dezembro de 1947 em São Paulo, Rita Lee Jones é a caçula das três filhas de Charles Fenley Jones e Romilda Padula, com ascendência de norte-americanos – por parte de pai – e italianos – por parte de mãe. Durante a infância, a garotinha demonstrava ser bastante sonhadora em relação ao seu futuro profissional: imaginava ser veterinária e até atriz de cinema, mas paralelamente desenvolvia um crescente interesse pela música, alimentado pelas canções embaladas no piano de sua mãe. A veia artística de Rita começou a ser estimulada com aulas ministradas pela renomada concertista Magdalena Tagliaferro, e aquela paixão pela música foi ganhando cada vez mais força com o passar dos anos; a chegada da adolescência trouxe a rebeldia e o despertar da Rita roqueira: a sardentinha costumava sair de casa pela noite para tocar bateria nas festinhas da escola, e tempo depois ainda criou coragem para pedir aos pais um kit do instrumento de presente.

 

 

 

Foi nos anos 60 que Rita Lee concentrou seu talento musical e começou a lapidá-lo. Depois de aprender a tocar baixo, em 1963 a garota formou um trio feminino de adolescentes, o Teenage Singers. Um ano depois, ela e suas parceiras conheceram o trio masculino Wooden Faces, e a junção das bandas resultou no Six Sided Rockers, que mudou seu nome para O’Seis e chegou a gravar um compacto com as canções “Suicida” e “Apocalipse”. Com a posterior saída de três membros, sobraram Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, que rebatizaram a banda de O Konjunto e, tempo depois, por sugestão do cantor Ronnie Von, adotaram o nome Os Mutantes. Estava formada uma das maiores e mais cultuadas bandas de rock do Brasil.

 

 

 

Rita chegou a estudar Comunicação Social na Universidade de São Paulo mas largou o curso ainda no primeiro período. Em seu novo grupo musical, Os Mutantes, a jovem roqueira se esbaldava cantando, tocando flauta e percussão, e vez ou outra se arriscando no banjo e no sintetizador. Em 1967, o trio de paulistas acompanhou Gilberto Gil no prestigiado III Festival de Música Popular Brasileira, e juntos conquistaram o segundo lugar na competição com a canção “Domingo no Parque”, uma das músicas que lançou o Tropicalismo, movimento que revolucionaria a MPB incorporando elementos do rock, da música erudita e do cancioneiro popular regional. No mesmo ano, seria lançado o disco-manifesto “Tropicália ou Panis Et Circencis”, que trazia Os Mutantes ao lado de Caetano Veloso, Tom Zé, Gilberto Gil, Gal Costa e Nara Leão. Impulsionados pela explosão do movimento tropicalista, Rita, Arnaldo e Sérgio lançaram seu primero disco em 1968, trazendo canções como “Panis Et Circensis”, “Bat Macumba”, “Baby” e “Ave Gengis Khan”. Rita Lee ainda participou de outros discos da banda, como “A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado”, “Jardim Elétrico” e “Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets”, mas saiu do grupo em 1972 devido a divergências musicais e abalos no relacionamento com Arnaldo, com quem havia se casado no ano anterior. A ruiva, então, decidiu cair de cabeça na carreira solo.

 

 

 

 

 

 

Em 1970, Rita já havia lançado um disco solo, intitulado “Build Up”, que contou com a produção do próprio Arnaldo Baptista. Distante da intensa vida com Os Mutantes, durante a qual fugiu da polícia, desafiou a censura da ditadura militar, fez parte de comunidades hippies e experimentou diversos tipos de drogas, Rita Lee Jones montou a banda Tutti-Frutti em 1973, dando início a uma produtiva carreira solo que a consagraria como a madrinha do rock nacional e uma das vozes femininas mais versáteis da música brasileira. Contratado pela gravadora Som Livre, o grupo Rita Lee & Tutti-Frutti lança, em 1974, o disco “Atrás do Porto Tem uma Cidade”. A popularidade e o reconhecimento de público e crítica vieram com “Fruto Proibido”, lançado em 1975 emplacando os sucessos “Esse Tal de Roque Enrow”, “Agora Só Falta Você” e “Ovelha Negra”.

 

 

 

Colhendo os frutos do reconhecimento nacional pelo sucesso de sua carreira solo com o Tutti Frutti, Rita Lee conhece o guitarrista Roberto de Carvalho em 1976, com o qual firma uma parceria musical que em pouco tempo origina um intenso relacionamento amoroso. O casal teve três filhos – Roberto (1977), João (1979) e Antonio (1981) – e permanece unido até hoje.

 

 

 

 

 

 

Em 1977, grávida de três meses de Beto Lee, a cantora foi acusada por porte e consumo de maconha, e ficou durante um ano em prisão domiciliar, mas teve permissão para fazer shows. Nesta época, compôs a canção “Arrombou a Festa” em parceria com Paulo Coelho e a lançou em um compacto que vendeu 200 mil cópias. Com Roberto de Carvalho incorporado à sua banda, Rita Lee viaja com Gilberto Gil na turnê “Refestança”, que posteriormente ganha registro em disco. Em 1979, a cantora grava o álbum “Rita Lee”, no qual expõe seu lado romântico e cujo carro-chefe é a música “Mania de Você”, o primeiro grande sucesso da produtiva parceria com Roberto de Carvalho, que mais uma vez reafirmou o poder e a influência de Rita sobre a música pop brasileira. No ano seguinte, a canção “Lança Perfume” conquista tanta popularidade que ultrapassa os limites das rádios brasileiras: figurou por mais de um mês no topo das paradas da “Billboard”, nos Estados Unidos, e ainda virou hit nas boates europeias.

 

 

 

Mundialmente respeitada e nacionalmente amada, a carismática ruiva de São Paulo chega aos anos 80 como uma das maiores artistas brasileiras do momento. Além de uma memorável participação no especial “Mulher 80”, da Rede Globo, cujo objetivo era discutir o papel feminino na sociedade da época, a cantora atravessa a década entre altos e baixos. Abalada por problemas pessoais (a morte de sua irmã mais velha e da amiga Elis Regina, além do debilitado estado de saúde do pai), Rita Lee se recolhe da vida profissional por um tempo. Em 1983, chegou a lançar um disco mas nem se preocupou em divulgá-lo. A crítica e o público não aprovaram o novo trabalho, e a cantora decidiu passar todo o ano seguinte sem qualquer aparição pública. Depois de uma tímida apresentação no festival Rock In Rio, em 1985, a ruiva reaparece em cena com um álbum inspirado, “Rita e Roberto”.

 

 

 

Depois de declarar guerra à imprensa após duras críticas feitas ao disco “Flerte Fatal”, de 1987, Rita Lee se arrisca como atriz, participando do filme “Fogo e Paixão”, ao lado de Roberto de Carvalho, e “Dias Melhores Virão”, produção elogiada no Festival de Cannes na qual contracena com Marília Pêra. O reconhecimento por sua capacidade de atuar veio com os prêmios de melhor atriz no Festival de Denzer, em 1990, e melhor ator (isso mesmo: ator!) pelo curta-metragem “Tanta Estrela Por Aí…”, no qual interpreta Raul Seixas. Este último foi entregue pela Prefeitura do Rio em 1993.

 

 

 

 

 

 

Após passar por altos e baixos nos anos 80, Rita Lee recuperou a popularidade e o prestígio nos anos 90. Depois de receber prêmios por atuações em filmes, a ruiva participa das novelas “Top Model” e “Vamp”, ambas escritas por Antonio Calmon e exibidas na Rede Globo. Com o sucesso na tevê, Rita ganhou um programa próprio em 1991: o “TVLeezão”, exibido durante seis meses na MTV Brasil.

 

 

 

 

 

 

Paralelamente aos trabalhos na televisão, Rita tomava decisões sobre os rumos de seu futuro musical: a cantora decide se desfazer temporariamente de sua parceria profissional com Roberto de Carvalho e cai na estrada com o projeto de voz-e-violão “Bossa N’ Roll”, uma bem sucedida turnê que se tornou o show mais assistido de 1991 e ainda lançou a tendência que estouraria ao longo da década: os discos acústicos. Em uma série de apresentações intimistas e envolventes, Rita relembrava seus maiores sucessos acompanhada no palco por Alexandre Fontanetti. O disco que registrou a turnê “Bossa N’ Roll” vendeu 350 mil cópias. Em 1993, a cantora mantém a maré alta com o álbum “Rita Lee”, cuja sonoridade marca o retorno à tradição roqueira da paulista.

 

 

 

Mas mesmo desfrutando de uma fase criativamente produtiva, Rita Lee viveu alguns maus bocados nos anos 90. Em 1995, semanas antes de abrir o show dos lendários Rolling Stones, foi derrubada por uma overdose que chegou a deixá-la em coma, preocupando seus fãs e o vocalista Mick Jagger, já que o próprio rockstar havia convidado a cantora para se apresentar antes dos Stones. Mas Rita Lee se recuperou a tempo e fez um grande show. Em dezembro de 1996, ela se casa legalmente com Roberto de Carvalho, e em 1997 sai em turnê para divulgar o álbum “Santa Rita de Sampa”, com o filho Beto Lee incorporado à banda. No ano seguinte, lança o disco “Acústico MTV” (com 650 mil cópias vendidas), comemorando seus 50 anos. Dentre as recentes conquistas de Rita, estão a proeza de se sagrar a primeira mulher e artista pop a ganhar o Prêmio Shell de Música Brasileira, além de ser homenageada pelo tradicional Prêmio Sharp em 1997.

 

 

 

Rita Lee chegou aos anos 2000 no patamar em que merecia: artista de sólida carreira, cujo passado respeitável se mistura com a própria história do rock no Brasil, a cantora conquista novos fãs a cada novo disco, reafirmando a relevância cultural de seu trabalho e mantendo a essência de sua personalidade irreverente. Em julho de 2000, a ruiva lança seu 27º álbum, “3001”, produzido por Roberto de Carvalho, trazendo influências de música eletrônica e o megahit “Erva Venenosa”. A obra vence o Grammy Latino de 2001 na categoria Melhor Disco de Rock. Em 2002, a turnê “Yê Yê Yê de Bamba”, apresentando releituras de canções dos Beatles pelo Brasil e América Latina.

 

 

 

 

 

 

Em outubro de 2003, o disco “Balacobaco” emplaca sucessos radiofônicos como “Amor e Sexo”, composto em parceria com Roberto e o jornalista Arnaldo Jabor, e ganha Disco de Ouro em pouco mais de um mês de lançamento. Logo depois, a cantora lança o projeto “MTV Ao Vivo”, gravado em 2004 com convidados especiais como Zélia Duncan e Pitty. Em 2005, se torna vovó com o nascimento de Izabella, filha de Beto Lee. Com 400 composições ao lado de mais de 4 décadas de carreira, Rita Lee Jones Carvalho é a maior cantora da música brasileira contemporânea, respeitada pelos críticos, admirada pelos artistas mais novos e adorada pela legião de fãs. Sua versatilidade transcende as barreiras do rock, e como boa aprendiz dos ideais tropicalistas, Rita continua ousando a cada novo álbum, explorando os terrenos da bossa nova e da MPB com a atitude de uma eterna roqueira e a competência de uma artista completa.

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12 de outubro de 2010, às 09:00h

Os Smurfs

 

 

 

 

 

 

Eles são pequenos, simpáticos, azuis e vivem em casas de cogumelo no meio da floresta. Não são meros duendes de contos de fadas, são os inigualáveis Smurfs, personagens criados em 1958 pelo quadrinista belga Pierre Culliford, mais conhecido como Peyo. A primeira aparição dessas criaturinhas foi na história em quadrinhos "La flûte à six trous", da série "Johan e Peewit", estrelada pela dupla de personagens do título.

 

 

 

Os Smurfs eram apenas personagens secundários na aventura de Johan e Peewit, dois heróis da Era Medieval, mas acabaram roubando a cena e conquistaram o público leitor da série, ganhando uma série própria de quadrinhos em 1959 e se tornando a criação mais conhecida de Peyo. O primeiro álbum dos personagens, originalmente conhecidos como Les Schtroumpfs, foi intitulada "Les Schtroumpfs noirs" ("Os Smurfs Pretos"), seguida por "Le Schtroumpfissime" ("O Rei Smurf") e "La Schtroumpfette" ("A Smurfette"). Ao todo, foram lançadas 28 HQs dos Smurfs, sendo 12 delas produzidas após a morte de Peyo em 1992, com o auxílio de seu filho, Thierry Culliford.

 

 

 

Com o sucesso dos quadrinhos de Peyo, o empresário norte-americano Stuart R. Ross firmou em 1976 um acordo com a editora belga Dupuis e o criador dos Smurfs para lançar os personagens nos Estados Unidos. Em associação com a empresa Bernie Wallace & Co., Ross fabricou bonecos e outros produtos dos Smurfs para serem vendidos em solo americano, e foi ao comprar um desses brinquedos para sua filha que o presidente da rede NBC, Fred Silverman, decidiu levar os Smurfs para a televisão. Assim surgiu um dos desenhos animados mais famosos do mundo.

 

 

 

 

 

 

Produzida pela famosa Hanna-Barbera Productions, a animação "Os Smurfs" se tornou um hit da televisão norte-americana, sendo exibida entre 12 de setembro de 1981 a 2 de dezembro de 1989, totalizando 256 episódios ao longo de nove temporadas. No Brasil, a série fez a alegria das crianças nas manhãs da TV Globo, nos extintos programas "Balão Mágico" e "Xou da Xuxa".

 

 

 

- RELEMBRE A HISTÓRIA -

Os Smurfs vivem pacificamente na Vila Escondida, onde só entra quem for convidado. Nas proximidades da aldeia, porém, vive o feiticeiro Gargamel, que na companhia de seu gato Cruel sempre põe em prática planos para capturar os Smurfs e criar uma poção para transformá-los em ouro.

 

 

 

Ingênuos e de boa índole, os Smurfs tem sua rotina guiada pelo sábio Papai Smurf, que com suas habilidades de alquimista conseguiu tirar seus amigos de mais uma enrascada quando transformou a Smurfette, criada por Gargamel como isca para atrair os Smurfs, em uma aliada. Entre outros integrantes da aldeia Smurf estão o travesso e brincalhão Joca, o mau-humorado Ranzinza, o músico Harmonia e o inteligente Gênio, além de Poeta, Apaixonado, Desastrado, Vaidoso, Robusto e Fominha, cada um conhecido por uma característica marcante.

 

 

 

- NOVO FILME -

 

 

 

Para matar a saudade dos fãs e conquistar a nova geração, os Smurfs estão voltando em 3D; a Columbia Pictures está produzindo um filme que mistura atores reais e personagens animados, com estreia prevista para 3 de agosto de 2011 nos cinemas norte-americanos. Dirigido por Raja Gosnell, o longa mostrará o que acontece quando os bichinhos azuis são transportados para o Central Park em Nova York, e tem de escapar das investidas de Gargamel, interpretado pelo ator Hank Azaria.

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4 de outubro de 2010, às 08:00h

Soul Tim

 

 

 

Sebastião Rodrigues Maia nasceu no dia 28 de setembro de 1942, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro. Caçula dos doze filhos de Seu Altivo Maia e Maria Imaculada Maia, o garotinho trabalhava como entregador de marmitas para ajudar o pai, dono de uma pensão. Apelidado de Tião Marmiteiro pelos meninos da vizinhança, muitas vezes deixava seu compromisso para jogar futebol na rua. O moleque travesso surpreendeu sua numerosa família quando demonstrou interesse pela música, compondo melodias próprias ainda na infância; mas a iniciação musical daquele que seria o pai da soul music brasileira ocorreu na adolescência: aos 14 anos, o jovem Tim formou sua primeira banda, batizada de “Os Tijucanos do Ritmo”, na qual inicialmente tocava bateria, mas logo assumiu o violão. Essa empreitada musical, porém, durou apenas um ano.

 

 

 

Sua segunda investida musical foi em 1957, quando, depois de se familiarizar com o violão, fundou o grupo de rock “Os Sputniks”, que trazia outros nomes até então desconhecidos da música brasileira, como Arlênio Silva, Wellington, Edson Trindade e um certo Roberto Carlos. Dois anos depois, porém, Tim Maia decidiu largar tudo e viajar para os Estados Unidos, com apenas alguns dólares no bolso. Sem ter onde ficar na terra do Tio Sam, o aventureiro Tim, com 17 anos na época, teve a sorte de conhecer uma família suburbana que o acolheu. Essa inconsequente e irresponsável jornada do garoto carioca pelos EUA, porém, foi muito importante para o seu amadurecimento artístico – além de estudar inglês, Tim Maia entrou em contato com o rico universo da música negra norte-americana, chegando até a integrar uma banda local de rhythm n’ blues, intitulada “The Ideals”. Depois de quatro anos nos Estados Unidos, o jovem Tim foi preso por porte de maconha e deportado de volta para o Brasil.

 

 

 

Em 1968, o músico carioca finalmente foi descoberto pela indústria fonográfica, e lançou seu primeiro trabalho como profissional solo – um compacto gravado pela CBS trazendo as músicas “Meu País” e “Sentimento”, ambas composições próprias de Tim Maia.

 

 

 

 

 

 

Foi só no ano de 1969 que Tim Maia se projetou nacionalmente para o cenário da música brasileira. Com um novo compacto, desta vez gravado pela Fermata, o cantor apresentou duas canções resultantes de sua imersão no universo musical norte-americano: “These Are The Songs” e “What Do You Want To Bet”, que o fizeram entrar na década de 70 com o pé direito. A visibilidade que esse novo trabalho lhe proporcionou resultou na gravação de seu primeiro LP, logo em 1970, pela Polygram. Intitulado apenas “Tim Maia”, o disco representou o triunfante ingresso daquele tijucano batalhador no hall das grandes revelações musicais do Brasil. Com sucessos estrondosos como “Azul da Cor do Mar”, “Coroné Antônio Bento” e “Primavera”, o LP ficou em primeiro lugar de vendas no Rio de Janeiro durante 24 semanas.

 

 

 

O talento do iniciante Tim logo chamou atenção de outros artistas do meio, especialmente da gaúcha Elis Regina, que o convidou para participar de um dueto para “These Are The Songs”, composição do cantor; o registro desse sublime encontro entre os dois pode ser conferido no disco “Em Pleno Verão”, deElis. A partir de então, Tim Maia abraçou a disco music que tomava conta das baladas no início da década de 70 – seu segundo álbum, “Tim Maia Volume II” de 1971, trazia “Um Dia Eu Chego Lá”, “Você”, e a clássica “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)”, um dos maiores hinos das discotecas brasileiras. “Tim Maia Volume III”, lançado no ano seguinte, confirmou a boa forma e o momento inspirado do cantor carioca com canções como “Razão de Sambar”, “Where Is My Other Half” e “Lamento”. Em 1973, o incansável Tim ainda gravou “Tim Maia Volume IV”, cujo carro-chefe era a romântica “Gostava Tanto de Você”.

 

 

 

Depois de um brilhante início de carreira, o cantor mergulhou numa de suas fases mais controversas e fascinantes. Tim se encantou com a Cultura Racional, ideologia fundada pelo guru brasileiro Manoel Jacinto Coelho que prega o equilíbrio perfeito entre lógica e emoção e a existência de seres extraterrestres como irmãos dos humanos. Inspirado por sua conversão à seita Universo Em Desencanto, que divulga a Cultura Racional, o carioca passou a, ele mesmo, difundir esses pensamentos através de sua música. Entre 1975 e 1976, Tim Maia se transformou: passou a se vestir todo de branco, largou as drogas que consumia, teve um filho (Carmelo Maia), brigou com sua gravadora, e lançou dois discos antológicos – “Tim Maia Racional Vol. 1” e “Tim Maia Racional Vol. 2” – através de seu selo próprio, o Seroma. Com o tempo, porém, Tim Maia se desiludiu com a Cultura Racional e o guru Jacinto Coelho, deixando a seita e chegando a tirar de circulação as cópias dos volumes 1 e 2 de “Tim Maia Racional”, que pelos anos seguintes se tornaram itens de colecionador.

 

 

 

 

 

 

Depois de largar a ideologia da Cultura Racional, Tim Maia lançou, em 1977, um novo disco homônimo, trazendo mais petardos da música brasileira imortalizados pelo seu vozeirão: “Verão Carioca”, “Venha Dormir em Casa” e “Não Esquente a Cabeça” resgataram o espírito das composições que marcaram o início da carreira do cantor. No ano seguinte, o inspirado carioca gravou a obra-prima “Tim Maia Disco Club”, pela Warner Music, e reafirmou sua relevância artística com um eterno sucesso de público – a hipnótica e dançante canção “Sossego”.

 

 

 

Ainda na onda das discotecas, o cantor lançou “Reencontro” em 1979, mantendo a boa fase com canções como “Boogie Esperto”, “Pra Você Voltar” e “Vou com Gás”, que fecharam a trajetória de Tim Maia pela década de 70 com chave de ouro.

 

 

 

Em 1983, o já consagrado Tim gravou outra grande obra-prima de sua discografia: “O Descobridor dos Sete Mares”, que apresentava ao público as inesquecíveis interpretações do carioca para a melancólica “Me Dê Motivo”, de Paulo Massadas e Michael Sullivan, e a canção-título, composta por Michel e Gilson Mendonça.

 

 

 

Depois de um dueto com a cantora Gal Costa para a canção “Um Dia de Domingo”, composta por Paulo Massadas e Michael Sullivan, Tim Maia lançou um novo álbum homônimo em 1986, cujo grande hit foi “Do Leme ao Pontal (Tomo Guaraná, Suco de Caju, Goiabada para Sobremesa)”, outra contagiante composição própria do carioca. A coroação do talento e da importância de Tim para a música brasileira na época aconteceu em 1988, quando ele ganhou o Prêmio Sharp de Música na categoria “Melhor Cantor”.

 

 

 

Depois de gravar um disco interpretando clássicos da bossa nova, Tim Maia chegou à década de 90 precisando dar novo fôlego à sua carreira. Insatisfeito com as grandes gravadoras, o músico retomou seu selo, o Seroma, e sua gravadora própria, a Vitória Régia Discos, através da qual lançaria seus álbuns seguintes. Em 1992, o primeiro disco ao vivo de Tim passou sua brilhante discografia a limpo, trazendo “Vale Tudo”, “Sossego”, “Você e Eu, Eu e Você”, “Azul da Cor do Mar” e “Me Dê Motivo”, dentre outros hits eternizados no vozeirão do carioca. Mas foi no ano seguinte que Tim Maia voltou a receber merecida atenção de mídia e grande público: com a famosíssima citação de Jorge Ben Jor em sua canção “W/Brasil”, na qual apelida Tim de “síndico”; e com a regravação que o carioca fez para “Como Uma Onda”, de Lulu Santos e Nelson Motta, versão que estourou através de um comercial de TV e depois figurou no repertório do disco “Tim Maia” de 1993. Renovado, o cantor esbanjou produtividade nos anos seguintes, lançando mais de um álbum por ano e explorando cada vez mais suas composições românticas, porém sem deixar de fora o funk e o soul característicos de seu estilo.

 

 

 

Dentre os últimos trabalhos da grande carreira de Tim Maia, destacam-se os álbuns “What a Wonderful World”, homenagem do cantor às suas influências da música negra norte-americana, e “Tim Maia Ao Vivo II”, que trouxe novo apanhado de performances para “Primavera”, “Você”, e “Gostava Tanto de Você”, dentre outras canções.

 

 

 

Foram 32 discos em 28 anos de carreira. Regravações e homenagens prestadas por nomes como Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Jorge Ben Jor, Cássia Eller e Marisa Monte. Brigas por cachê travadas com casas de shows e gravadoras, além de intrigas com a Rede Globo. Shows tão divertidos quanto polêmicos, marcados por sua exigência técnica na qualidade de som. Tudo isso e uma irremediável coleção de vícios. “Não fumo, não bebo e não cheiro. Meu único defeito é que minto um pouco”, dizia Tim Maia, um dos maiores cantores da história da música brasileira, morto no dia 15 de março de 1998, em decorrência de uma infecção generalizada. Além de enfrentar problemas como obesidade e diabetes, o carioca de 55 anos chegava a consumir três garrafas de uísque por dia, além de cocaína e maconha.

 

 

 

 

 

 

No dia 8 de março de 1998, Tim Maia insistiu em cantar num show no Teatro Municipal de Niterói, no Rio de Janeiro, mesmo sabendo de sua saúde debilitada. Sobre o palco, passou mal e acabou sendo levado de ambulância para o Hospital Antônio Pedro. Vítima de um edema pulmonar seguido de parada cardiorrespiratória, o pai da soul music brasileira falecia sete dias depois da internação, sem ao menos se despedir da festa.

 

 

 

 

 

 

Apesar dos desafetos que acumulou ao longo de sua trajetória artística – e do incorrigível hábito de faltar a muitos shows -, o carioca do vozeirão foi um dos cantores mais importantes de sua época, trazendo influências do funk, do soul e da disco music para a música popular brasileira. O carisma, a personalidade e as excentricidades de Tim tornavam suas performances inesquecíveis. Sua brilhante e extensa discografia é cultuada fervorosamente até os dias de hoje, e canções como “Vale Tudo”, “Gostava Tanto de Você”, “Azul da Cor do Mar” e “O Descobridor dos Sete Mares” se encarregarão de apresentar, às próximas gerações, esse artista imortalizado nos anais do cancioneiro popular nacional.

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10 de setembro de 2010, às 10:00h

Gustavo Borges – O Campeão das Piscinas.

 

Nascido em Ribeirão Preto (SP) no dia 2 de dezembro de 1972, Gustavo França Borges é considerado um dos maiores nomes da natação brasileira. Filho de um pecuarista e uma professora, o atleta se mudou com a família para a cidade de Ituverava apenas um dia depois do nascimento. Lá viveu até os 15 anos, quando viajou aos Estados Unidos para estudar na Bolles School em Jacksonville (Flórida) e posteriormente se formou em economia pela Universidade de Michigan, em Ann Arbor, no ano de 1997.

 

 

 

Desde a infância, além de se dedicar aos estudos, Gustavo praticava esportes regularmente, e o talento nas águas surgiu por volta dos 10 anos de idade, quando começou a fazer natação na Associação Atlética Ituveravense e disputar competições. Apesar de ter experimentado futebol, basquete, tênis e hipismo, foi o esporte aquático que o conquistou.

 

 

 

 

 

 

Já nos EUA, Gustavo foi treinado pelo técnico de natação Jon Urbanchek, que nos anos 90 também orientou outros grandes expoentes do esporte como Eric Namesnik e Marcel Wouda. A evolução de seu desempenho nas águas culminaria numa estreia em grande estilo no cenário esportivo mundial: o brasileiro faturou nada menos que cinco medalhas (sendo duas de ouro) nos Jogos Pan-Americanos de 1991, realizados em Cuba. Em 1992, conquistou medalha de prata na prova dos 100m nado livre das Olimpíadas de Barcelona. Nascia mais um ídolo brasileiro no esporte, com um currículo de vitórias memoráveis.

 

 

 

Entre seus principais títulos Gustavo Borges foi medalhista olímpico por quatro vezes (prata nos 100m livre em Barcelona/1992; prata nos 200m livre e bronze nos 100m livre em Atlanta/1996; bronze nos 4x100m livre em Sydney/2000), recordista mundial dos 100m livre entre 1993 e 1994 e do revezamento 4x100m livre entre 1993 e 2000, trinta e uma vezes medalhista em Copas do Mundo e o maior medalhista brasileiro em Jogos Pan-Americanos, com 19 medalhas nas edições de Havana/1991, Mar Del Plata/1995, Winnipeg/1999 e Santo Domingo/2003. Atrás de Hugo Oyama, o nadador é também o segundo atleta brasileiro com o maior número de medalhas de ouro em Pan-Americanos: são oito, apenas uma a menos que o tenista de mesa.

 

 

 

A última competição de Gustavo foi em 2004, na prova de revezamento 4x100m livre das Olimpíadas de Atenas, em cuja cerimônia de abertura desfilou como porta-bandeira da delegação brasileira.

 

 

 

 

 

Em reconhecimento à sua admirável carreira, o nadador brasileiro, hoje com 37 anos, foi eleito um dos esportistas do século em pesquisa publicada pela revista "IstoÉ" em 1999, mesmo ano em que foi selecionado entre os dez desportistas latino-americanos de maior destaque pela Agência Informativa Latino-Americana S.A.

 

 

 

 

 

 

Fora das piscinas, Gustavo Borges se tornou o único latino-americano a integrar a Federação Internacional de Natação Amadora (FINA), onde ocupou o cargo de Secretário-Geral do Comitê de Atletas de 2005 a 2008. Atualmente, ele faz parte da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e desempenha o papel de Vice Chairman junto à FINA para o período entre 2009 e 2013.

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10 de agosto de 2010, às 15:00h

O Mestre do Quadrinho Nacional.

 

Os EUA tem Walt Disney. O Japão tem Osamu Tezuka. E não é exagero dizer que o Brasil também tem seu gênio da Arte Sequencial – ou nona arte, referente às histórias em quadrinhos. Ele se chama Mauricio de Sousa e seus personagens formam um verdadeiro patrimônio da cultura pop nacional, cujas características e maneirismos são facilmente identificáveis e povoam o imaginário de crianças e adultos desde 1959, quando começaram a ser publicadas suas tirinhas no jornal "Folha da Manhã" (atual "Folha de S. Paulo"), onde trabalhava como repórter policial. Inicialmente eram apenas gags mudas estreladas pelo garoto Franjinha – mais tarde um cientista de invejável criatividade – e seu cãozinho Bidu, que se tornou símbolo do estúdio Mauricio de Sousa Produções, fundado para administrar o trabalho daquele jornalista que se tornara cartunista.

 

 

 

Nascido em Santa Isabel (SP) no dia 27 de outubro de 1935, filho do poeta e barbeiro Antônio Mauricio de Sousa e da poetisa Petronilha Araújo de Sousa – e irmão de Mariza, Maura e Marcio -, Mauricio sempre valorizou a veia artística herdada dos pais, e sua paixão pelo desenho foi determinante quando decidiu deixar as páginas policiais da "Folha da Manhã" e dar vida a uma longa e notável linhagem de personagens como o menino Cebolinha, o fantasma Penadinho, o caipira boa-praça Chico Bento, o dinossaurinho Horácio e o homem-das-cavernas Piteco, todos surgidos em páginas semanais de tiras, que ao final de dez anos foram distribuídas para mais de 200 jornais brasileiros.

 

 

 

O êxito comercial cresceria nos anos seguintes, conforme a "família" de personagens que pipocavam da mente inquieta de Mauricio aumentava e conquistava cada vez mais leitores pelo país. Em 1963 foi criada a líder de toda essa turma: inspirado em sua filhinha Mônica, Mauricio deu vida à simpática baixinha, gorducha e dentuça – no bom sentido, claro! – que habita o pacato Bairro do Limoeiro, onde se diverte com a amiga comilona Magali e dá uma lição no "tlavesso" Cebolinha e no aquáfobo Cascão sempre que a dupla tenta pôr em prática os "planos infalíveis" de dar nós no coelho de pelúcia da garota, Sansão. Com um time de protagonistas tão carismáticos e de personalidades tão marcantes e reconhecíveis, a Turma da Mônica logo se tornou o maior sucesso de Mauricio de Sousa, tendo uma tiragem de 200 mil exemplares em sua primeira revista de quadrinhos, lançada pela editora Abril em 1970.

 

 

 

 

 

 

O sucesso impulsionou não apenas a produção de gibis próprios para outros personagens – como Cebolinha, Cascão, Magali, Chico Bento e até Pelezinho, inspirado no nosso Rei do futebol – como também estimulou Mauricio a criar novos integrantes da turminha através das décadas, sempre tendo em mente algum de seus dez filhos ou amigos de infância. E assim surgiram Nimbus, Do Contra, Dudu, Vanda, Valéria e Marina, por exemplo. Recentemente, outro craque do futebol, Ronaldinho Gaúcho, ganhou sua própria revistinha e passou a reforçar o time de personagens da Mauricio de Sousa Produções.

 

 

 

Inquieto, Mauricio ainda ingressou no mundo da animação, numa época em que o Brasil ainda não contava com grandes recursos para produzir seus próprios desenhos animados. O curta-metragem "Natal Para Todos Nós", lançado em 1977, foi um marco na história da animação nacional e embalou os sonhos de muitas crianças ao longo dos Natais da década de 80, com exibições pela Rede Globo. A estreia na produção de longa-metragens ocorreu em 1982 com "As Aventuras da Turma da Mônica", que teve custo total de 100 milhões de cruzeiros e abriu caminho para o desenvolvimento de novos filmes e de uma série de televisão que já está na 12ª temporada, atualmente exibida pela TV Globo e pelo canal pago Cartoon Network.

 

 

 

 

 

 

O pioneirismo de Mauricio de Sousa também pôde ser notado na construção do grandioso Parque da Mônica, erguido em 1993 no Shopping Eldorado, em São Paulo. Em fevereiro de 2010, o parque teve de ser fechado, mas o pai da turminha tratou de acalmar a criançada e declarou que já existem planos de reabrir o empreendimento em outro local.

 

 

 

O reconhecimento nacional estimulou a exportação da marca Turma da Mônica, considerada a mais licenciada no Brasil. Atualmente, a turminha tem produtos licenciados em 40 países – como Itália, Estados Unidos, Espanha e Indonésia – e seus gibis já foram traduzidos para 14 idiomas. Uma influência que promete se estender até mesmo na educação da China, onde a Mauricio de Sousa Produções exibirá, a partir de setembro de 2010, uma série animada com Mônica e sua turma para auxiliar na alfabetização infantil do país, em parceria com o governo chinês. Mais uma iniciativa louvável que comprova a força e o empreendedorismo do quadrinista brasileiro no exterior.

 

 

 

 

 

 

Por falar em empreendedorismo, desde que migrou suas publicações da editora Globo (onde ficou de 1987 a 2007) para a multinacional Panini, Mauricio tem conseguido conquistar novos públicos e velhos leitores, seja por meio da controversa, porém inquestionavelmente bem-sucedida "Turma da Mônica Jovem" – série mensal que mostra os personagens da turminha adolescentes, desenhados sob a estética do mangá, o quadrinho japonês -, seja pelo relançamento periódico de antigas edições "clássicas" de seu catálogo e pelo projeto "MSP 50", coletânea lançada no ano passado – com uma segunda edição a caminho – que celebrou os 50 anos de carreira de Mauricio reunindo ilustrações e historietas de vários quadrinistas brasileiros estreladas por versões autorais da turminha. Nostalgia para deliciar os leitores adultos, renovação para se manter na preferência da garotada.

 

 

 

 

 

 

Depois de colecionar prêmios nacionais e internacionais (como o italiano Yellow Kid de 1971) ao longo de 50 anos de carreira, Mauricio de Sousa não precisa provar por que é um dos maiores ícones da cultura pop brasileira. Muitos marmanjos cresceram lendo historinhas da Turma da Mônica e várias outras crianças ainda serão estimuladas a alimentar o hábito da leitura com as aventuras deliciosamente ingênuas dos diversos personagens criados pelo célebre jornalista que virou cartunista. Parece não haver limites para os projetos profissionais de Mauricio, que prometem recuperar cada vez mais a imagem da Turma da Mônica do fundo do inconsciente coletivo brasileiro e mostrar que esses personagens ainda tem muito a dizer – e a brincar.

 

Clique aqui para conferir uma entrevista exclusiva da Mais Ação Entretenimento com Mauricio de Sousa.

 

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