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21 de outubro de 2011, às 20:46h

Ayrton Senna do Brasil

O que era exatamente aquilo que voava baixo nas pistas da Fórmula 1? Um pássaro? Um avião? Não. Era Ayrton Senna da Silva, do Brasil, um dos maiores pilotos da história da mais tradicional e competitiva categoria do automobilismo.

Senna nasceu em 21 de março de 1960 em São Paulo, sendo o segundo filho de Milton da Silva e Neide Senna da Silva. Interessado em carros de corrida desde os primeiros anos de sua infância, o pequeno Ayrton ganhou, aos quatro anos de idade, um kart com motor de cortador de grama, presente construído pelo seu pai, um empresário do ramo metalúrgico. Três anos depois, o garoto apaixonado por automobilismo começou a treinar no kartódromo de Interlagos com um kart de verdade. Senna estava ávido por competir em campeonatos; sua paixão e determinação pelo esporte afloraram logo cedo.

Aos oito anos, Ayrton disputou sua primeira corrida num campeonato de pilotos de 18 a 20 anos. No sorteio para definir o grid de largada, adivinhe qual competidor ficou com a pole position? Ele mesmo! Senna! Mas após liderar toda a prova com folga, seu veículo foi tocado por trás pelo adversário e ele acabou capotando. Quanta emoção para um pequeno piloto de oito anos de idade!

Em 1974, adquirindo experiência nas pistas, o jovem Ayrton venceu a categoria júnior do campeonato paulista, sagrando-se campeão brasileiro no ano seguinte. Em 1979 e 1980, ele se mostrou ao mundo ao faturar o bicampeonato no Sulamericano de Kart. Senna deixava claro que sua relação com as pistas e as quatro rodas era coisa séria.

Em 1981, o piloto viajou à Europa onde disputou e venceu, pela equipe Van Diemen, o campeonato inglês de Fórmula Ford 1600, tornando-se, logo no ano seguinte, campeão europeu e britânico de Fórmula 2000. Sua coleção de títulos estava aumentando admiravelmente a cada ano. Depois de se transferir para a Fórmula Fiat 2000 em 1982, Senna ingressou na Fórmula 3, na Inglaterra, em 1983. A escalada até a elite do automobilismo mundial estava finalmente alcançando o topo.

Correndo pela West Surrey Racing, Ayrton Senna encontrou seu primeiro grande rival nas pistas da Fórmula 3, Martin Brundle, com quem disputou uma temporada emocionante que culminou com o título do campenato em suas mãos, depois de 12 vitórias, 2 segundos lugares, 16 poles e três acidentes com Brundle em 21 corridas. Após várias vitórias em Silverstone, a imprensa inglesa passou a chamar o circuito de “Silvastone”, em homenagem ao talentoso brasileiro. Com o sucesso do piloto revelação nas pistas do automobilismo mundial, quatro escuderias da Fórmula 1 começaram a sondá-lo para uma possível contratação: McLaren, Brabham (pela qual competia o então bicampeão da categoria Nelson Piquet) e Williams se mostraram interessdas, mas foi a pequena Toleman que fechou negócio com Senna.

Na primeira temporada de Fórmula 1 que dispoutou, o brasileiro já mostrou a que veio – no GP de Mônaco de 1984, ele esbanjou talento e destreza ao largar na 13ª posição, terminar a primeira volta em nono lugar e alcançar a segunda posição depois de 30 voltas. Quando Senna estava prestes a ultrapassar o líder da prova, o francês Alain Prost, o diretor da corrida, Jackie Icxy, deu a competição por encerrada devido à chuva forte – uma polêmica determinação que favoreceu Prost. No ano seguinte, Ayrton correu pela equipe Lotus e venceu seis GPs na temporada, competindo lado a lado com grandes nomes da época como o compatriota Piquet e o inglês Nigel Mansell, além de Prost. A F-1 nunca mais seria a mesma.

Em 1987, o jovem ás das pistas assinou com a McLaren Honda e finalmente conquistou o campeonato mundial de Fórmula 1 em 1988, quando obteve 8 vitórias e 13 poles, um recorde até então. No ano seguinte, Ayrton Senna ficou com o vice-campeonato, superado pelo companheiro de equipe e rival Alain Prost. Porém, em 1990 e 1991, o brasileiro abocanharia seus dois últimos títulos mundiais para a brilhante carreira.

Depois de terminar a temporada de 1992 em quarto lugar (num período que marcou a decadência da Honda) e se tornar novamente vice-campeão em 1993, Senna é contratado pela Williams por 20 milhões de dólares para o mundial de 1994. Mas no dia 1º de maio daquele ano, quando liderava a prova do circuito de Ímola, na Itália, o tricampeão saiu da pista na curva Tamburelllo e bateu no muro de proteção a 210 km/h. Morria aos 34 anos de idade um dos maiores ídolos do esporte brasileiro e mundial, um herói das pistas que conquistou a simpatia e admiração de todos por seu carisma, sua jovialidade e seu espírito esportivo. Em seu currículo de 161 corridas na Fórmula 1, acumulou 41 vitórias e 65 pole positions, além de três conquistas mundiais inesquecíveis.

Outros pilotos tão competentes como ele surgiram e ainda vão surgir, mas Ayrton Senna do Brasil é único. Este foi o especial "Ayrton Senna do Brasil", do projeto "Memória Mais Ação".

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19 de outubro de 2011, às 20:40h

Pelé, a Majestade dos Gramados

No dia 23 de outubro de 1940, o Brasil e o mundo podiam não perceber, mas nascia o maior nome do futebol mundial, na cidade mineira de Três Corações. Filho de Celeste e João Ramos do Nascimento – mais conhecido como Dondinho, popular jogador de futebol de Minas Gerais -, Edison Arantes do Nascimento herdou do pai a paixão pelo esporte, e demonstrou-a logo cedo, na infância.

O apelido pelo qual o hoje mundialmente famoso ex-jogador brasileiro ficou conhecido surgiu de forma inusitada: enquanto assistia aos jogos do São Lourenço, time em que Dondinho atuava, Edison (assim batizado em homenagem ao inventor norte-americano Thomas Edison) se impressionava com as defesas do goleiro da equipe de seu pai, e constantemente gritava: “Defende, Bilé!”. O apelido “Bilé” foi atribuído ao garoto, que há época tinha três anos, mas as crianças entenderam-no como “Pelé”, e assim nasceu a alcunha que acompanhou Edison por toda a sua carreira profissional e permanece até hoje no imaginário brasileiro como sinônimo de talento no esporte.

Aos onze anos, Pelé começou a jogar no Canto do Rio, time infanto-juvenil em que a idade mínima para vestir a camisa era de treze anos. Empolgado com a fome de bola do filho, Dondinho fundou sua própria equipe, o Sete de Setembro. Mais tarde, quando sua família já morava em Bauru (SP), o jovem atacante Edison atuou pelo Baquinho, time infanto-juvenil do Bauru Atlético Clube, e posteriormente foi levado à equipe principal pelo famoso ex-jogador e técnico Waldemar de Britto. Em 1956, Pelé foi apresentado ao Santos pelo mesmo Waldemar, que à época teria profetizado: “Esse menino vai ser o melhor jogador de futebol do mundo”. Em sua primeira partida defendendo o clube santista, Pelé fez um gol na goleada de 7 a 1 do Santos sobre o Corinthians.

No período em que defendeu o Santos, entre 1956 e 1974, o lendário atacante obteve algumas de suas maiores conquistas nos gramados: faturou mais de 40 taças, entre dez campeonatos paulistas, cinco Taças Brasil, quatro Torneios Rio-São Paulo e duas Taças Libertadores da América, além de colecionar artilharias em todas estas competições. Em plena ascensão no clube alvinegro, Pelé estreou na seleção brasileira em 1957, aos 16 anos, tornando-se o mais jovem jogador a vestir a camisa verde e amarela. Em seu primeiro jogo pelo Brasil, ele registrou também seu primeiro gol na seleção, contribuindo para a vitória de 2 a 1 sobre a Argentina no Maracanã.

 

No ano seguinte, em 1958, o talentoso Edison defenderia as cores do Brasil na Copa do Mundo da Suécia, marcando seis gols na bela campanha que garantiu à seleção canarinha seu primeiro campeonato mundial. Àquela altura, o mundo coroava a majestade dos gramados: a imprensa francesa começou a chamá-lo de Rei do Futebol, e sob este título o mundo passou a reverenciá-lo. Foi também na Suécia que Pelé vestiu pela primeira vez sua emblemática camisa 10.

Nos anos 60, o mais novo ídolo brasileiro chegou a receber convites para atuar em times europeus, mas preferiu permanecer no Santos, até hoje seu clube de coração. Na Copa do Mundo do Chile, em 1962, Pelé sofreu uma distensão muscular na partida contra a Tchecoslováquia e teve que deixar o torneio, em que Garrincha foi o destaque da seleção e o Brasil faturou o bicampeonato mundial; mas participaria ainda das Copas de 1966 (Inglaterra) e 1970 (México), quando ajudou o time a se sagrar tricampeão do torneio. Ao todo, o Rei participou de 92 partidas oficiais pela seleção brasileira, balançando as redes 103 vezes.

Formado em Educação Física na Faculdade de Educação Física de Santos, em 1974, Pelé parte para os Estados Unidos no ano seguinte, após acertar a maior negociação do futebol até o final da década de 70 – por US$ 7 milhões, o atacante é transferido para o New York Cosmos, que defendeu até 1977 ao lado de outros grandes nomes do esporte como o alemão Franz Beckenbauer e o compatriota Carlos Alberto Torres. Antes de se despedir do clube norte-americano, em partida que também marcou seu adeus aos gramados, Pelé foi a grande estrela do amistoso New York Cosmos X Santos, realizado no Giants Stadium, em Nova York. No jogo, vencido pelo Cosmos por 2 a 1, o Rei atuou um tempo em cada time, e marcou um gol para cada lado.

 

Por falar em gol, Pelé marcou nada menos que 1.284 em toda a sua memorável carreira. O famoso milésimo gol foi marcado numa cobrança de pênalti em 1969, numa partida em que o Santos venceu o Vasco por 2 a 1 no Maracanã. O goleiro era o argentino Andrada, e o jogo era válido pelo torneio Roberto Gomes Pedrosa. Na ocasião, ao ser cercado por repórteres, um Pelé emocionado declarou: “Pensem no Natal. Pensem nas criancinhas”.

Mesmo depois de pendurar as chuteiras, o Rei do Futebol não parou fora dos gramados – ao longo dos anos, Edison Arantes do Nascimento virou manchete por seu relacionamento com a apresentadora Xuxa Meneghel, que estava em ascensão na mídia; gravou discos de música e atuou em dez filmes, contracenando com astros como Sylvester Stallone e Michael Caine; reconheceu duas filhas fora de seu casamento com Rosemeri Cholbi (com quem teve Kelly Cristina, Edson e Jennifer): Flávia Kurtz e Sandra Regina; e se casou com a psicóloga Assíria Lemos, com quem teve Joshua e Celeste.

Entre os cargos que assumiu desde que se despediu do futebol, Pelé foi embaixador para Ecologia e Meio Ambiente da ONU em 1992; embaixador da Boa Vontade da Unesco em 1993; embaixador para Educação, Ciência e Cultura da Unesco em 1994; e ministro brasileiro dos Esportes entre 1995 e 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Mas além de outros títulos expressivos como Sir-Cavaleiro Honorário do Império Britânico, concedido em 1997 pela Rainha Elizabeth II, Pelé também coleciona prêmios como Atleta do Século (pelo jornal francês “L’Equipe” em 1981, pelo Comitê Olímpico Internacional em 1999, e pelos jornalistas da Agência Reuters em 1999) e Jogador de Futebol do Século pela Fifa, em 2000. Pois é, Maradona: o futebol é reino de uma só majestade. E ela nasceu em Três Corações.

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