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5 de novembro de 2010, às 10:00h

Nordeste Sem Fronteiras – Luiz Gonzaga

Por Redação

 

 

 

Luiz Gonzaga do Nascimento veio ao mundo em 13 de dezembro de 1912, numa fazenda da zona rural de Exu, no estado de Pernambuco. O pai do menino, seu Januário José Santos, trabalhava como lavrador num latifúndio e tocava uma sanfona de oito baixos nos tempos vagos. Foi através deste instrumento que o pequeno Luiz despertaria interesse pela música e, após aprender a tocar com o pai, passaria a se apresentar em feiras e bailes antes mesmo de chegar à adolescência. Já aos 18 anos, um fato inusitado transformaria os rumos de sua vida: Luiz Gonzaga se apaixona por Nazarena, uma garota da região, mas o pai dela, um coronel, não aprova o romance. Enfurecido, o jovem chega a ameaçá-lo de morte. Ao saber do ocorrido, seu Januário aplica uma surra no filho que, revoltado e desiludido, foge de casa e ingressa no exército em Crato, no Ceará.

 

 

 

Servindo como voluntário, Luiz Gonzaga atravessa o Brasil viajando por diversos estados, até que em Juiz de Fora (MG) reencontra o instrumento que tanto o fascinou na infância ao conhecer Domingos Ambrósio, soldado e sanfoneiro, que lhe dá lições musicais bastante importantes para a definição do futuro profissional do jovem pernambucano. Decidido a investir numa carreira artística, Luiz Gonzaga deu baixa do Exército em 1939, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Com uma sanfona recém-comprada, ele passou a se apresentar em ruas, cabarés e bares cariocas, tocando boleros, valsas, choros, tangos e sambas. Percebendo a saudade dos migrantes nordestinos pela música característica de sua região, Luiz Gonzaga passou a compor canções explicitamente regionalistas, como os chamegos “Pés de Serra” e “Vira e Mexe”, o que lhe garantiu um contrato com a Rádio Nacional após uma aplaudida apresentação no programa de Ary Barroso. A partir de então, o pernambucano começou a se popularizar como atração radiofônica, difundindo a música e a cultura nordestina como nenhum outro artista havia feito até aquele momento.

 

 

 

 

 

 

A fama crescente de Luiz Gonzaga no cenário musical brasileiro lhe rendeu tanto prestígio que ele foi convidado na década de 40 para trabalhar como sanfoneiro na gravação de discos de outros artistas. Posteriormente foi contratado pela Rádio Clube do Brasil e pela Rádio Tamoio, nas quais se apresentava como solista. Assumindo a nordestinidade, Luiz Gonzaga se tornou um ícone do forró, um autêntico representante do cancioneiro popular nordestino, e passou a se caracterizar como vaqueiro, com direito a um chapéu de couro que logo se tornou símbolo de sua música. Sob a alcunha de Rei do Baião, Gonzagão narrava para todo o Brasil ouvir as dores, os anseios e as esperanças de um povo muitas vezes ignorado pelas elites do sul.

 

 

 

 

 

 

Aos poucos, conquistando cada vez mais respeito e espaço na mídia nacional como instrumentista, o sanfoneiro também se arriscou a compor e cantar suas próprias músicas, que transitavam entre xaxados, baiões e cocos, todos popularizados através de seus discos e suas apresentações. As parcerias de Gonzagão com Miguel Lima e Humberto Teixeira criaram canções eternizadas na voz marcante do pernambucano, como “Penerô Xerém”, “Dezessete e Setecentos”, “Baião de Dois”, Paraíba”, “Juazeiro”, e “Asa Branca”, uma espécie de hino do Nordeste, uma crônica atemporal sobre as dificuldades do sertanejo na escassez do semi-árido brasileiro. Gravada em 1947, “Asa Branca” teria várias versões nas vozes de outros artistas.

 

 

 

 

 

 

Em 1945, nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, filho de Gonzagão com a cantora e dançarina Odaléia Guedes. Com música nas veias, Gonzaguinha também iria enveredar pela carreira artística, tornando-se um prestigiado cantor de MPB. Três anos depois, o sanfoneiro se casaria com a professora Helena Cavalcanti.

 

 

 

 

 

 

Em 1950, Luiz Gonzaga firmou parceria com Zé Dantas, com quem compôs sucessos como “Cintura Fina”, “O Xote das Meninas”, “ABC do Sertão”, e “A Volta da Asa Branca”, que caracterizaram sua fase áurea na cena musical brasileira, quando o baião estourou em todo o país. Porém, com a ascensão da bossa nova, a agenda de shows do sanfoneiro se deslocou para o interior, onde sua popularidade nunca declinou. Nos anos 70, a carreira de Gonzagão ganhou fôlego com regravações de canções suas por jovens músicos como Gilberto Gil, Geraldo Vandré e Caetano Veloso, que não escondiam influências do Rei do Baião em suas composições. Na década de 80, a popularidade do sanfoneiro tomou novo impulso através de duetos com Fagner, Dominguinhos, Milton Nascimento, Elba Ramalho e até com seu filho Gonzaguinha na canção “A Vida do Viajante”. Em 1984, o reconhecimento por sua obra viria na forma de um disco de ouro pelo álbum “Danado de Bom”.

 

 

 

Com 56 discos gravados e mais de 500 composições próprias, Luiz Gonzaga morreu no dia 2 de agosto de 1989 no Recife, vítima de parada cardiorrespiratória. Suas músicas abriram os olhos do Brasil para as alegrias e tristezas do povo nordestino e seu legado permanece vivo no DNA musical da região.

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