21 de outubro de 2011, às 20:46h

O que era exatamente aquilo que voava baixo nas pistas da Fórmula 1? Um pássaro? Um avião? Não. Era Ayrton Senna da Silva, do Brasil, um dos maiores pilotos da história da mais tradicional e competitiva categoria do automobilismo.
Senna nasceu em 21 de março de 1960 em São Paulo, sendo o segundo filho de Milton da Silva e Neide Senna da Silva. Interessado em carros de corrida desde os primeiros anos de sua infância, o pequeno Ayrton ganhou, aos quatro anos de idade, um kart com motor de cortador de grama, presente construído pelo seu pai, um empresário do ramo metalúrgico. Três anos depois, o garoto apaixonado por automobilismo começou a treinar no kartódromo de Interlagos com um kart de verdade. Senna estava ávido por competir em campeonatos; sua paixão e determinação pelo esporte afloraram logo cedo.
Aos oito anos, Ayrton disputou sua primeira corrida num campeonato de pilotos de 18 a 20 anos. No sorteio para definir o grid de largada, adivinhe qual competidor ficou com a pole position? Ele mesmo! Senna! Mas após liderar toda a prova com folga, seu veículo foi tocado por trás pelo adversário e ele acabou capotando. Quanta emoção para um pequeno piloto de oito anos de idade!
Em 1974, adquirindo experiência nas pistas, o jovem Ayrton venceu a categoria júnior do campeonato paulista, sagrando-se campeão brasileiro no ano seguinte. Em 1979 e 1980, ele se mostrou ao mundo ao faturar o bicampeonato no Sulamericano de Kart. Senna deixava claro que sua relação com as pistas e as quatro rodas era coisa séria.
Em 1981, o piloto viajou à Europa onde disputou e venceu, pela equipe Van Diemen, o campeonato inglês de Fórmula Ford 1600, tornando-se, logo no ano seguinte, campeão europeu e britânico de Fórmula 2000. Sua coleção de títulos estava aumentando admiravelmente a cada ano. Depois de se transferir para a Fórmula Fiat 2000 em 1982, Senna ingressou na Fórmula 3, na Inglaterra, em 1983. A escalada até a elite do automobilismo mundial estava finalmente alcançando o topo.
Correndo pela West Surrey Racing, Ayrton Senna encontrou seu primeiro grande rival nas pistas da Fórmula 3, Martin Brundle, com quem disputou uma temporada emocionante que culminou com o título do campenato em suas mãos, depois de 12 vitórias, 2 segundos lugares, 16 poles e três acidentes com Brundle em 21 corridas. Após várias vitórias em Silverstone, a imprensa inglesa passou a chamar o circuito de “Silvastone”, em homenagem ao talentoso brasileiro. Com o sucesso do piloto revelação nas pistas do automobilismo mundial, quatro escuderias da Fórmula 1 começaram a sondá-lo para uma possível contratação: McLaren, Brabham (pela qual competia o então bicampeão da categoria Nelson Piquet) e Williams se mostraram interessdas, mas foi a pequena Toleman que fechou negócio com Senna.
Na primeira temporada de Fórmula 1 que dispoutou, o brasileiro já mostrou a que veio – no GP de Mônaco de 1984, ele esbanjou talento e destreza ao largar na 13ª posição, terminar a primeira volta em nono lugar e alcançar a segunda posição depois de 30 voltas. Quando Senna estava prestes a ultrapassar o líder da prova, o francês Alain Prost, o diretor da corrida, Jackie Icxy, deu a competição por encerrada devido à chuva forte – uma polêmica determinação que favoreceu Prost. No ano seguinte, Ayrton correu pela equipe Lotus e venceu seis GPs na temporada, competindo lado a lado com grandes nomes da época como o compatriota Piquet e o inglês Nigel Mansell, além de Prost. A F-1 nunca mais seria a mesma.

Em 1987, o jovem ás das pistas assinou com a McLaren Honda e finalmente conquistou o campeonato mundial de Fórmula 1 em 1988, quando obteve 8 vitórias e 13 poles, um recorde até então. No ano seguinte, Ayrton Senna ficou com o vice-campeonato, superado pelo companheiro de equipe e rival Alain Prost. Porém, em 1990 e 1991, o brasileiro abocanharia seus dois últimos títulos mundiais para a brilhante carreira.
Depois de terminar a temporada de 1992 em quarto lugar (num período que marcou a decadência da Honda) e se tornar novamente vice-campeão em 1993, Senna é contratado pela Williams por 20 milhões de dólares para o mundial de 1994. Mas no dia 1º de maio daquele ano, quando liderava a prova do circuito de Ímola, na Itália, o tricampeão saiu da pista na curva Tamburelllo e bateu no muro de proteção a 210 km/h. Morria aos 34 anos de idade um dos maiores ídolos do esporte brasileiro e mundial, um herói das pistas que conquistou a simpatia e admiração de todos por seu carisma, sua jovialidade e seu espírito esportivo. Em seu currículo de 161 corridas na Fórmula 1, acumulou 41 vitórias e 65 pole positions, além de três conquistas mundiais inesquecíveis.
Outros pilotos tão competentes como ele surgiram e ainda vão surgir, mas Ayrton Senna do Brasil é único. Este foi o especial "Ayrton Senna do Brasil", do projeto "Memória Mais Ação".
21 de outubro de 2011, às 19:42h

Filho do produtor fonográfico João Araújo e da costureira Maria Lúcia Araújo, Agenor de Miranda Araújo Neto nasceu no dia 4 de abril de 1958, no Rio de Janeiro. Já em sua infância, vivida no bairro de Ipanema, o pequeno Agenor esteve em constante contato com a música brasileira: inserido no ambiente profissional do pai, ele cresceu em volta de grandes artistas da MPB, como João Gilberto, Caetano Veloso, Elis Regina e Gilberto Gil. Além disso, o garoto foi influenciado pelas canções melancólicas de Cartola, Maysa, Dolores Duran, Noel Rosa e Lupicínio Rodrigues, até que tomou gosto pela poesia e passou a escrever letras e poemas, que mostrava à sua avó materna.
O jovem Agenor não se dava bem com seu nome, herdado do avô paterno. Ele sempre preferiu seu apelido, inspirado numa vespa de ferroada dolorosa: Cazuza, que no Nordeste brasileiro também siginifica “moleque”. Ele só aceitaria seu nome depois de descobrir que um de seus compositores prediletos, Cartola, também se chamava Agenor.
Na adolescência, Cazuza manifestou o espírito rebelde e a atitude roqueira que marcariam sua imagem pelo resto de sua intensa vida. Suas noitadas regadas a sexo, drogas e rock n’ roll obrigavam seu pai a livrá-lo de prisões e fichas na polícia, e sua postura expansiva e assumidamente bissexual chocava sua mãe. Em 1976, preocupado em manter o filho longe de arruaças, João Araújo lhe arranjou um trabalho na gravadora Som Livre, no departamento artístico e posteriormente na assessoria de imprensa da empresa.
Mas Cazuza não se satisfazia em nenhuma dessas ocupações; ele chegou até a cursar fotografia na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, e ensaiou uma carreira de fotógrafo, mas ainda não era o ofício que o realizava profissionalmente.
No início da década de 80, o jovem Agenor, ou Cazuza, como preferia ser chamado, finalmente encontrou uma atividade que o satisfazia. Ao ingressar no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, ele descobriu seu potencial como intérprete musical. Ciente do talento de Cazuza, o cantor Léo Jaime convidou o rapaz para comparecer a um ensaio do Barão Vermelho, banda de rock que estava apenas começando e precisava de um vocalista. Em 1981, Cazuza se apresentou a Roberto Frejat, Dé, Guto Goffi e Maurício Barros – os jovens que compunham o Barão Vermelho – e surpreendeu a todos com sua postura performática, atitude roqueira e os vocais berrados, ideais para o rock cru de garagem que o quarteto fazia. Naquele momento, nascia uma das maiores bandas do rock brasileiro e uma das parcerias mais produtivas da música pop nacional: Frejat e Cazuza.
Impulsionado pelas composições de Cazuza, cujos carisma e personalidade extrovertida fizeram-no se tornar líder da banda, o Barão Vermelho deixou as versões cover de lado e rapidamente desenvolveu seu repertório próprio. Descobertos pelo produtor Ezequiel Neves, os garotos convenceram José Araújo, o pai de Cazuza, que naquela época era presidente da gravadora Som Livre, a lançar um disco do grupo. “Barão Vermelho” e “Barão Vermelho 2"″ foram os primeiros passos de uma carreira brilhante. À frente do Barão, o jovem cantor representava o frescor da nova geração de músicos e compositores brasileiros, oferencendo à juventude um rock genuinamente nacional com sua atitude ousada, suas performances intensas, e suas letras honestas e de forte apelo entre os jovens. “Pro Dia Nascer Feliz”, “Bete Balanço” e “Maior Abandonado” foram alguns dos sucessos do Barão que se tornaram verdaderos hinos dos anos 80.
Depois da conquista do sucesso e o estouro nas rádios, as diferenças entre os integrantes do grupo se ressaltaram, e os desentendimentos entre Cazuza e os outros passaram a ser constantes. A correria dos shows e a agenda sobrecarregada de compromissos como ensaios e entrevistas pressionavam os rapazes e acalouravam os ânimos na banda. Em julho de 1985, alguns meses depois de uma bem-sucedida apresentação no festival Rock In Rio, Cazuza anunciava sua saída do Barão Vermelho, buscando maior liberdade para compor e se expressar musicalmente. A banda continuaria sob liderança do guitarrista Roberto Frejat.

Naquele mesmo ano, Cazuza seria internado num hospital carioca com infecção bacteriana. Na ocasião, o músico exigiu que fosse feito um teste de HIV, mas o resultado fora negativo. Esse tipo de diagnóstico ainda não era muito preciso naquela época. Em novembro de 1985, Cazuza estreia sua carreira solo com o disco “Exagerado”, que trouxe composições feitas em parceria com outros amigos do cantor, como Lobão (“Mal Nenhum”) e Leoni (“Exagerado”), e lançou uma das canções mais marcantes de sua carreira: a apaixonante “Codinome Beija-Flor”.
O segundo disco solo de Cazuza, “Só Se For a Dois”, foi lançado pela Polygram em março de 1987, e já trazia indícios do amadurecimento profissional e da evolução artística do jovem poeta. No repertório, canções como a dançante “O Nosso Amor a Gente Inventa (Estória Romântica)” e a romântica faixa-título, além de “Ritual” e “Solidão Que Nada”, garantiram os elogios da crítica especializada e da crescente legião de fãs. Porém, apesar de atingir o ápice de sua carreira como cantor e compositor, o carioca descobre que é portador do vírus HIV, após um novo exame que havia requisitado.
Em outubro daquele ano, Cazuza é internado numa clínica do Rio de Janeiro para tratar de uma pneumonia, e em seguida viaja para Boston, nos EUA, onde fica durante dois meses, submetido a um tratamento à base de AZT, um dos primeiros medicamentos que surgiram para combater a AIDS. Quando volta ao Brasil, o cantor põe a mão na massa novamente: seu terceiro disco solo, “Ideologia”, foi lançado em 1988, e consagrado como uma das obras mais vigorosas e contundentes do rock brasileiro, com canções como “Faz Parte do Meu Show”, que flerta com a bossa nova; “Brasil”, um hino urbano em ritmo de samba; e a faixa-título, que fala sobre alienação, desilusão e ainda faz referência à AIDS.

Em 1989, é lançado “O Tempo Não Pára”, registro ao vivo desta turnê em disco e VHS, contendo a intensa canção homônima, um dos maiores clássicos do repertório do músico carioca. O álbum se tornou o maior sucesso comercial de Cazuza, ultrapassando a marca de 500 mil cópias vendidas.
Em fevereiro de 1989, Cazuza assumia publicamente ser soropositivo. Numa época em que a prevenção da doença ainda não era tão difundida, este foi um ato de extrema importância conscientizadora para a sociedade, especialmente porque se tratava da primeira personalidade brasileira a fazê-lo. Assumindo uma postura serena, o músico não se deixa lamentar pelo inevitável, e passa a aproveitar o tempo que ainda lhe restava para compor compulsivamente. O álbum duplo “Burguesia” foi o último de sua meteórica trajetória, gravado quando ele já estava numa cadeira de rodas.
Cada vez mais abatido e fragilizado pela AIDS, Cazuza é novamente levado aos Estados Unidos em outubro de 1989, e fica internado até março de 1990, no mesmo hospital de Boston. Em 7 de julho daquele mesmo ano, não resistindo aos danos causados pelo vírus HIV, Cazuza morre. Era o fim de uma vida intensa, de uma carreira brilhante. Aos 32 anos, o jovem Agenor deixava familiares, amigos e fãs desolados com sua trágica partida. Seu enterro foi acompanhado por mais de mil pessoas, e seu caixão foi levado à sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho – Roberto Frejat, Maurício Barros, Dé e Guto Goffi -, que ainda dedicariam uma música ao velho amigo, “O Poeta Está Vivo”, presente no disco “Na Calada da Noite”.

Como diz a canção-tributo do Barão, o poeta ainda está vivo. Suas composições lapidaram o rock nacional dos anos 80 e construíram uma sólida base de influências para os roqueiros adolescentes das gerações seguintes. O poeta sempre estará vivo porque seu legado é imortal – suas poesias, músicas e álbuns serão apreciados eternamente.
20 de outubro de 2011, às 20:42h
Os EUA tem Walt Disney. O Japão tem Osamu Tezuka. E não é exagero dizer que o Brasil também tem seu gênio da Arte Sequencial – ou nona arte, referente às histórias em quadrinhos. Ele se chama Mauricio de Sousa e seus personagens formam um verdadeiro patrimônio da cultura pop nacional, cujas características e maneirismos são facilmente identificáveis e povoam o imaginário de crianças e adultos desde 1959, quando começaram a ser publicadas suas tirinhas no jornal "Folha da Manhã" (atual "Folha de S. Paulo"), onde trabalhava como repórter policial. Inicialmente eram apenas gags mudas estreladas pelo garoto Franjinha – mais tarde um cientista de invejável criatividade – e seu cãozinho Bidu, que se tornou símbolo do estúdio Mauricio de Sousa Produções, fundado para administrar o trabalho daquele jornalista que se tornara cartunista.
Nascido em Santa Isabel (SP) no dia 27 de outubro de 1935, filho do poeta e barbeiro Antônio Mauricio de Sousa e da poetisa Petronilha Araújo de Sousa – e irmão de Mariza, Maura e Marcio -, Mauricio sempre valorizou a veia artística herdada dos pais, e sua paixão pelo desenho foi determinante quando decidiu deixar as páginas policiais da "Folha da Manhã" e dar vida a uma longa e notável linhagem de personagens como o menino Cebolinha, o fantasma Penadinho, o caipira boa-praça Chico Bento, o dinossaurinho Horácio e o homem-das-cavernas Piteco, todos surgidos em páginas semanais de tiras, que ao final de dez anos foram distribuídas para mais de 200 jornais brasileiros.

O êxito comercial cresceria nos anos seguintes, conforme a "família" de personagens que pipocavam da mente inquieta de Mauricio aumentava e conquistava cada vez mais leitores pelo país. Em 1963 foi criada a líder de toda essa turma: inspirado em sua filhinha Mônica, Mauricio deu vida à simpática baixinha, gorducha e dentuça – no bom sentido, claro! – que habita o pacato Bairro do Limoeiro, onde se diverte com a amiga comilona Magali e dá uma lição no "tlavesso" Cebolinha e no aquáfobo Cascão sempre que a dupla tenta pôr em prática os "planos infalíveis" de dar nós no coelho de pelúcia da garota, Sansão. Com um time de protagonistas tão carismáticos e de personalidades tão marcantes e reconhecíveis, a Turma da Mônica logo se tornou o maior sucesso de Mauricio de Sousa, tendo uma tiragem de 200 mil exemplares em sua primeira revista de quadrinhos, lançada pela editora Abril em 1970.

O sucesso impulsionou não apenas a produção de gibis próprios para outros personagens – como Cebolinha, Cascão, Magali, Chico Bento e até Pelezinho, inspirado no nosso Rei do futebol – como também estimulou Mauricio a criar novos integrantes da turminha através das décadas, sempre tendo em mente algum de seus dez filhos ou amigos de infância. E assim surgiram Nimbus, Do Contra, Dudu, Vanda, Valéria e Marina, por exemplo. Recentemente, outro craque do futebol, Ronaldinho Gaúcho, ganhou sua própria revistinha e passou a reforçar o time de personagens da Mauricio de Sousa Produções.
Inquieto, Mauricio ainda ingressou no mundo da animação, numa época em que o Brasil ainda não contava com grandes recursos para produzir seus próprios desenhos animados. O curta-metragem "Natal Para Todos Nós", lançado em 1977, foi um marco na história da animação nacional e embalou os sonhos de muitas crianças ao longo dos Natais da década de 80, com exibições pela Rede Globo. A estreia na produção de longa-metragens ocorreu em 1982 com "As Aventuras da Turma da Mônica", que teve custo total de 100 milhões de cruzeiros e abriu caminho para o desenvolvimento de novos filmes e de uma série de televisão que já está na 12ª temporada, atualmente exibida pela TV Globo e pelo canal pago Cartoon Network.

O pioneirismo de Mauricio de Sousa também pôde ser notado na construção do grandioso Parque da Mônica, erguido em 1993 no Shopping Eldorado, em São Paulo. Em fevereiro de 2010, o parque teve de ser fechado, mas o pai da turminha tratou de acalmar a criançada e declarou que já existem planos de reabrir o empreendimento em outro local.
O reconhecimento nacional estimulou a exportação da marca Turma da Mônica, considerada a mais licenciada no Brasil. Atualmente, a turminha tem produtos licenciados em 40 países – como Itália, Estados Unidos, Espanha e Indonésia – e seus gibis já foram traduzidos para 14 idiomas. Uma influência que promete se estender até mesmo na educação da China, onde a Mauricio de Sousa Produções exibirá, a partir de setembro de 2010, uma série animada com Mônica e sua turma para auxiliar na alfabetização infantil do país, em parceria com o governo chinês. Mais uma iniciativa louvável que comprova a força e o empreendedorismo do quadrinista brasileiro no exterior.

Por falar em empreendedorismo, desde que migrou suas publicações da editora Globo (onde ficou de 1987 a 2007) para a multinacional Panini, Mauricio tem conseguido conquistar novos públicos e velhos leitores, seja por meio da controversa, porém inquestionavelmente bem-sucedida "Turma da Mônica Jovem" – série mensal que mostra os personagens da turminha adolescentes, desenhados sob a estética do mangá, o quadrinho japonês -, seja pelo relançamento periódico de antigas edições "clássicas" de seu catálogo e pelo projeto "MSP 50", coletânea lançada no ano passado – com uma segunda edição a caminho – que celebrou os 50 anos de carreira de Mauricio reunindo ilustrações e historietas de vários quadrinistas brasileiros estreladas por versões autorais da turminha. Nostalgia para deliciar os leitores adultos, renovação para se manter na preferência da garotada.

Depois de colecionar prêmios nacionais e internacionais (como o italiano Yellow Kid de 1971) ao longo de 50 anos de carreira, Mauricio de Sousa não precisa provar por que é um dos maiores ícones da cultura pop brasileira. Muitos marmanjos cresceram lendo historinhas da Turma da Mônica e várias outras crianças ainda serão estimuladas a alimentar o hábito da leitura com as aventuras deliciosamente ingênuas dos diversos personagens criados pelo célebre jornalista que virou cartunista. Parece não haver limites para os projetos profissionais de Mauricio, que prometem recuperar cada vez mais a imagem da Turma da Mônica do fundo do inconsciente coletivo brasileiro e mostrar que esses personagens ainda tem muito a dizer – e a brincar.
20 de outubro de 2011, às 19:49h
Yabba Dabba Doo!
Quem não conhece esse grito eufórico que tanto alegrou (e ainda alegra) crianças (e adultos) em calmas manhãs (ou noites) em frente à TV? A série animada "Os Flintstones", que completa 50 anos de lançamento em 2010, é sem dúvida uma das mais populares produções dos estúdios Hanna Barbera – fundado em 1944 pelos cartunistas norte-americanos William Hanna e Joseph Barbera.

Estrelada por uma turma de personagens divertidos e carismáticos, "Os Flintstones" foi ao ar pela primeira vez no dia 30 de setembro de 1960 na rede de TV norte-americana ABC, narrando as situações cômicas do dia-a-dia da família Flintstone e seus vizinhos, os Rubble, na pacata cidade de Bedrock. A peculiaridade da série, porém, é a época em que se transcorrem as histórias – a longínqua Idade da Pedra.
Este é um dos maiores trunfos da série: o humor destilado nas trapalhadas cotidianas de Fred Flinstone e Barney Rubble fascina crianças e adultos pela forma com que os roteiristas conseguiram transpor questões – e tecnologias – do estilo de vida moderno para a rotina anacrônica de personagens que, ao mesmo tempo em que moram em cavernas, convivem com dinossauros e vestem trapos feitos com o que parece ser pele de mamíferos selvagens, assistem à televisão e andam de carro – apesar deste ser movido com os pés dos passageiros. A grande sacada de "Os Flintstones" é fazer uma cômica projeção reversa de como viveríamos na Idade da Pedra – incluindo a domesticação de animais que poderiam ser ameaçadores como pterodáctilos e mamutes -, tomando a liberdade de incluir o uso de certas tecnologias que só seriam criadas eras mais tarde. O resultado é uma criativa paródia das prerrogativas e dos costumes do homem moderno, algo parecido com o êxito obtido por outra grande obra de Hanna-Barbera, "Os Jetsons". Neste caso, porém, foi feita uma projeção da vida cotidiana no arquetípico futuro imaginado pela cultura pop, incluindo carros voadores e robôs para uso doméstico.
Apesar de transbordar conceitos interessantes, a ideia por trás de "Os Flintstones" não é tão original. O próprio William Hanna admitiu que se inspirou no seriado "The Honeymooners" para criar os casais Fred e Wilma Flintstone e Barney e Betty Rubble. Além disso, algumas piadas foram emprestadas de outra animação, a "Stone Age Cartoons", como o uso de jornais feitos de pedra e de animais pré-históricos como eletrodomésticos. Influências à parte, Fred, Wilma, Barney, Betty, o dócil mascote Dino e os bebês Pedrita e Bambam conquistaram público de todas as idades em 80 países. "Os Flintstones" foi dublado em 22 idiomas.
A maior – talvez única – controvérsia em que a série se envolveu em seus 166 episódios originalmente produzidos foi a veiculação da propaganda da marca de cigarros Winston nos primeiros capítulos, quando o programa era voltado para o público adulto (Fred e Wilma apareciam fumando nos créditos finais dos episódios). Mas a partir da terceira temporada, "Os Flintstones" mudou seu público-alvo para jovens e crianças, e com a adição dos bebês Bambam e Pedrita entre os personagens, o principal anunciante da série passou a ser a marca de sucos Welsh's e os episódios seguiram uma orientação mais familiar.
- PERSONAGENS -
Relembre abaixo os personagens principais de "Os Flintstones":
- Fred Flintstone: Este bonachão trabalha como "operador de dinossauro" na Slaterock Gravel Company, gerida pelo Senhor Pedregulho. Sua comida preferida é o Brontoburguer (hambúrguer de brontossauro). Ele é casado com Wilma Flintsone e juntos tem uma filha, Pedrita. Ele é o dono da inconfundível expressão "Yabba Dabba Doo".
- Wilma Flintstone: Dona-de-casa, já pensou em trabalhar fora, mas seu marido Fred é contra a ideia.

- Barney Rubble: Melhor amigo de Fred, acompanha o protagonista em suas peripécias, sempre a contragosto. É casado com Betty, com quem cria o filho adotivo Bambam.
- Betty Rubble: Esposa de Barney, Betty sempre se junta a Wilma para tirar os homens de enrascadas.
- Bambam Rubble: filho adotivo de Barney e Betty (foi deixado à porta da casa dos Rubble quando bebê). Possui grande força e é apaixonado por Pedrita desde criança.
- Pedrita Flintstone: filha de Fred e Wilma, casa-se com Bambam quando cresce.
- Dino: Dinossauro domesticado, mascote da família Flintstone. É dócil como um cãozinho.

19 de outubro de 2011, às 20:40h
No dia 23 de outubro de 1940, o Brasil e o mundo podiam não perceber, mas nascia o maior nome do futebol mundial, na cidade mineira de Três Corações. Filho de Celeste e João Ramos do Nascimento – mais conhecido como Dondinho, popular jogador de futebol de Minas Gerais -, Edison Arantes do Nascimento herdou do pai a paixão pelo esporte, e demonstrou-a logo cedo, na infância.

O apelido pelo qual o hoje mundialmente famoso ex-jogador brasileiro ficou conhecido surgiu de forma inusitada: enquanto assistia aos jogos do São Lourenço, time em que Dondinho atuava, Edison (assim batizado em homenagem ao inventor norte-americano Thomas Edison) se impressionava com as defesas do goleiro da equipe de seu pai, e constantemente gritava: “Defende, Bilé!”. O apelido “Bilé” foi atribuído ao garoto, que há época tinha três anos, mas as crianças entenderam-no como “Pelé”, e assim nasceu a alcunha que acompanhou Edison por toda a sua carreira profissional e permanece até hoje no imaginário brasileiro como sinônimo de talento no esporte.

Aos onze anos, Pelé começou a jogar no Canto do Rio, time infanto-juvenil em que a idade mínima para vestir a camisa era de treze anos. Empolgado com a fome de bola do filho, Dondinho fundou sua própria equipe, o Sete de Setembro. Mais tarde, quando sua família já morava em Bauru (SP), o jovem atacante Edison atuou pelo Baquinho, time infanto-juvenil do Bauru Atlético Clube, e posteriormente foi levado à equipe principal pelo famoso ex-jogador e técnico Waldemar de Britto. Em 1956, Pelé foi apresentado ao Santos pelo mesmo Waldemar, que à época teria profetizado: “Esse menino vai ser o melhor jogador de futebol do mundo”. Em sua primeira partida defendendo o clube santista, Pelé fez um gol na goleada de 7 a 1 do Santos sobre o Corinthians.
No período em que defendeu o Santos, entre 1956 e 1974, o lendário atacante obteve algumas de suas maiores conquistas nos gramados: faturou mais de 40 taças, entre dez campeonatos paulistas, cinco Taças Brasil, quatro Torneios Rio-São Paulo e duas Taças Libertadores da América, além de colecionar artilharias em todas estas competições. Em plena ascensão no clube alvinegro, Pelé estreou na seleção brasileira em 1957, aos 16 anos, tornando-se o mais jovem jogador a vestir a camisa verde e amarela. Em seu primeiro jogo pelo Brasil, ele registrou também seu primeiro gol na seleção, contribuindo para a vitória de 2 a 1 sobre a Argentina no Maracanã.

No ano seguinte, em 1958, o talentoso Edison defenderia as cores do Brasil na Copa do Mundo da Suécia, marcando seis gols na bela campanha que garantiu à seleção canarinha seu primeiro campeonato mundial. Àquela altura, o mundo coroava a majestade dos gramados: a imprensa francesa começou a chamá-lo de Rei do Futebol, e sob este título o mundo passou a reverenciá-lo. Foi também na Suécia que Pelé vestiu pela primeira vez sua emblemática camisa 10.
Nos anos 60, o mais novo ídolo brasileiro chegou a receber convites para atuar em times europeus, mas preferiu permanecer no Santos, até hoje seu clube de coração. Na Copa do Mundo do Chile, em 1962, Pelé sofreu uma distensão muscular na partida contra a Tchecoslováquia e teve que deixar o torneio, em que Garrincha foi o destaque da seleção e o Brasil faturou o bicampeonato mundial; mas participaria ainda das Copas de 1966 (Inglaterra) e 1970 (México), quando ajudou o time a se sagrar tricampeão do torneio. Ao todo, o Rei participou de 92 partidas oficiais pela seleção brasileira, balançando as redes 103 vezes.
Formado em Educação Física na Faculdade de Educação Física de Santos, em 1974, Pelé parte para os Estados Unidos no ano seguinte, após acertar a maior negociação do futebol até o final da década de 70 – por US$ 7 milhões, o atacante é transferido para o New York Cosmos, que defendeu até 1977 ao lado de outros grandes nomes do esporte como o alemão Franz Beckenbauer e o compatriota Carlos Alberto Torres. Antes de se despedir do clube norte-americano, em partida que também marcou seu adeus aos gramados, Pelé foi a grande estrela do amistoso New York Cosmos X Santos, realizado no Giants Stadium, em Nova York. No jogo, vencido pelo Cosmos por 2 a 1, o Rei atuou um tempo em cada time, e marcou um gol para cada lado.
Por falar em gol, Pelé marcou nada menos que 1.284 em toda a sua memorável carreira. O famoso milésimo gol foi marcado numa cobrança de pênalti em 1969, numa partida em que o Santos venceu o Vasco por 2 a 1 no Maracanã. O goleiro era o argentino Andrada, e o jogo era válido pelo torneio Roberto Gomes Pedrosa. Na ocasião, ao ser cercado por repórteres, um Pelé emocionado declarou: “Pensem no Natal. Pensem nas criancinhas”.
Mesmo depois de pendurar as chuteiras, o Rei do Futebol não parou fora dos gramados – ao longo dos anos, Edison Arantes do Nascimento virou manchete por seu relacionamento com a apresentadora Xuxa Meneghel, que estava em ascensão na mídia; gravou discos de música e atuou em dez filmes, contracenando com astros como Sylvester Stallone e Michael Caine; reconheceu duas filhas fora de seu casamento com Rosemeri Cholbi (com quem teve Kelly Cristina, Edson e Jennifer): Flávia Kurtz e Sandra Regina; e se casou com a psicóloga Assíria Lemos, com quem teve Joshua e Celeste.
Entre os cargos que assumiu desde que se despediu do futebol, Pelé foi embaixador para Ecologia e Meio Ambiente da ONU em 1992; embaixador da Boa Vontade da Unesco em 1993; embaixador para Educação, Ciência e Cultura da Unesco em 1994; e ministro brasileiro dos Esportes entre 1995 e 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Mas além de outros títulos expressivos como Sir-Cavaleiro Honorário do Império Britânico, concedido em 1997 pela Rainha Elizabeth II, Pelé também coleciona prêmios como Atleta do Século (pelo jornal francês “L’Equipe” em 1981, pelo Comitê Olímpico Internacional em 1999, e pelos jornalistas da Agência Reuters em 1999) e Jogador de Futebol do Século pela Fifa, em 2000. Pois é, Maradona: o futebol é reino de uma só majestade. E ela nasceu em Três Corações.
18 de outubro de 2011, às 15:00h

A primeira vez que o mundo ouviu uma nota vocal de Elis Regina Carvalho Costa foi no dia 17 de março de 1945, em Porto Alegre (RS), quando nascia aos prantos aquela que seria considerada a maior cantora brasileira de todos os tempos.
Desde cedo, Elis Regina, ou "a Pimentinha", como seria apelidada por Vinícius de Moraes, demonstrou afinidade com o universo musical. Já aos 11 anos de idade, em 1956, o dom de cantar aflorava em sua voz doce, que a tornou destaque do elenco fixo do "Clube do Guri", programa infantil da Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Três anos depois, a jovem Elis assinou seu primeiro contrato profissional, firmado com a Rádio Gaúcha, para se apresentar no tradicional "Programa Maurício Sobrinho".
Aos 16 anos, Elis Regina canaliza seu talento precoce no álbum "Viva a Brotolândia", de 1961, lançando em seguida o disco “Poema de Amor”, em 1962. No ano seguinte, a revelação gaúcha esbanjou inspiração ao produzir seu terceiro LP, “O Bem do Amor”. Elis conquistava respeito no mundo dos “grandes da música brasileira” e, no final daquele mesmo ano, abandonava o segundo ano colegial na escola Diogo de Souza e com ele os planos de se tornar uma professora, focada em sua ascendente carreira musical.
Em março de 1964, a Pimentinha deixa sua terra natal e se muda para o Rio de Janeiro, onde assina um contrato com a TV Rio para se apresentar no programa “Noites de Gala” ao lado de nomes como Wilson Simonal, Jorge Ben e o Trio Iraquitã. Não demora muito e a jovem cantora é levada por Dom Um Romão, um dos grandes compositores da bossa nova, para as refinadas noites musicais da cidade. Ainda em 1964, a cantora conheceria o produtor Solano Ribeiro, que mais tarde organizaria o I Festival de Música Popular Brasileira na TV Excelsior, vencido pela própria Elis e sua interpretação da canção “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes. Solano foi o primeiro namorado da gauchinha, num relacionamento conturbado que se desmanchou depois de um aborto realizado às escondidas por ela.
Em 1965, a ousada cantora se une a Jair Rodrigues para lançar o álbum “Dois na Bossa”, que foi tão bem recebido pelo público (se tornou o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias) que a TV Record decidiu contratar a dupla para estrelar o programa semanal “O Fino da Bossa”. A essa altura, a gauchinha detinha o maior cachê do showbusiness brasileiro.
O ano de 1968 marcou a investida de Elis numa carreira internacional, com apresentações nas TVs sueca, inglesa, holandesa, suíça e belga. Em Paris, naquele mesmo ano, a revelação brasileira se apresentaria duas vezes no Teatro Olympia, uma marca inédita no local, segundo noticiou a revista “Veja” de 23/10/68.
Ao longo do traumático período da ditadura militar no Brasil, instaurada em 1964, o temperamento forte de Elis não a deixou se sentir intimidada e a cantora sempre aproveitava a exposição na mídia para criticar o governo totalitário. Sua interpretação emocionante de “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, consagraria esta canção como o “hino da anistia”. O ano de 1969 foi especial para a gaúcha: nasceu João Marcelo, seu primeiro filho com o produtor musical e compositor Ronaldo Bôscoli. O matrimônio firmado em 1967 terminaria em 1972, e dois anos depois, Elis se casaria com o pianista César Camargo Mariano, com quem teve mais dois filhos: Pedro, em 1975, e Maria Rita, em 1977.
Os anos 70 marcam o aprimoramento técnico vocal de Elis, evidenciado pelas grandes interpretações que a cantora executou ao longo da década. Em 1970, Elis ainda grava um compacto duplo, através do qual o Brasil conheceu a clássica “Madalena”, faixa composta por Ivan Lins e Ronaldo Monteiro.

Em 1972, a Pimentinha lança o LP “Elis”, cujo repertório traz “Nada Será Como Antes”, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, e “Águas de Março”, de Tom Jobim, imortalizada na voz suave da cantora gaúcha.A parceria da Pimentinha com Tom Jobim, um dos gênios da bossa nova, seria finalmente celebrada no disco “ Elis & Tom”, de 1974, recheado de sucessos como “Corcovado”, “Só Tinha de Ser Com Você” e “Por Toda A Minha Vida”.
O lendário espetáculo “Falso Brilhante”, de 1975, foi um grande marco na carreira de Elis. Depois de meses de ensaio, a cantora estava pronta para oferecer ao público algo mais do que simplesmente cantar e tocar. Toda a sua equipe de palco fez aulas de expressão corporal e sensibilização teatral, que garantiram o sucesso de “Falso Brilhante” como um dos mais bem-sucedidos espetáculos musicais da história do Brasil. O show ainda sairia em disco em 1976, trazendo outra pérola irretocável na voz de Elis: a canção “Como Nossos Pais”, composta por Belchior.
Em 1982, a Pimentinha começava a trabalhar o repertório de um novo disco, que sairia pela gravadora Som Livre. Mas no dia 19 de janeiro, às 11h45, Elis Regina morria aos 36 anos vítima de intoxicação exógena aguda, provocada por overdose de cocaína, tranquilizantes e bebida alcoólica. De repente, o Brasil tinha perdido uma de suas mais ilustres artistas.

Sua voz, que equilibrava técnica e lirismo com perfeição, e sua atitude performática, que transformava cada show num espetáculo emocionante, influenciaram várias cantoras que viriam nos anos seguintes, de Adriana Calcanhoto a Daniel Mercury, de Leila Pinheiro a Vanessa da Mata. A própria filha da Pimentinha, Maria Rita, se consagrou como um dos nomes mais promissores da atual safra da MPB ao lançar seu primeiro disco em 2003.
8 de dezembro de 2010, às 14:00h
Yabba Dabba Doo!
Quem não conhece esse grito eufórico que tanto alegrou (e ainda alegra) crianças (e adultos) em calmas manhãs (ou noites) em frente à TV? A série animada "Os Flintstones", que completa 50 anos de lançamento em 2010, é sem dúvida uma das mais populares produções dos estúdios Hanna Barbera – fundado em 1944 pelos cartunistas norte-americanos William Hanna e Joseph Barbera.

Estrelada por uma turma de personagens divertidos e carismáticos, "Os Flintstones" foi ao ar pela primeira vez no dia 30 de setembro de 1960 na rede de TV norte-americana ABC, narrando as situações cômicas do dia-a-dia da família Flintstone e seus vizinhos, os Rubble, na pacata cidade de Bedrock. A peculiaridade da série, porém, é a época em que se transcorrem as histórias – a longínqua Idade da Pedra.
Este é um dos maiores trunfos da série: o humor destilado nas trapalhadas cotidianas de Fred Flinstone e Barney Rubble fascina crianças e adultos pela forma com que os roteiristas conseguiram transpor questões – e tecnologias – do estilo de vida moderno para a rotina anacrônica de personagens que, ao mesmo tempo em que moram em cavernas, convivem com dinossauros e vestem trapos feitos com o que parece ser pele de mamíferos selvagens, assistem à televisão e andam de carro – apesar deste ser movido com os pés dos passageiros. A grande sacada de "Os Flintstones" é fazer uma cômica projeção reversa de como viveríamos na Idade da Pedra – incluindo a domesticação de animais que poderiam ser ameaçadores como pterodáctilos e mamutes -, tomando a liberdade de incluir o uso de certas tecnologias que só seriam criadas eras mais tarde. O resultado é uma criativa paródia das prerrogativas e dos costumes do homem moderno, algo parecido com o êxito obtido por outra grande obra de Hanna-Barbera, "Os Jetsons". Neste caso, porém, foi feita uma projeção da vida cotidiana no arquetípico futuro imaginado pela cultura pop, incluindo carros voadores e robôs para uso doméstico.
Apesar de transbordar conceitos interessantes, a ideia por trás de "Os Flintstones" não é tão original. O próprio William Hanna admitiu que se inspirou no seriado "The Honeymooners" para criar os casais Fred e Wilma Flintstone e Barney e Betty Rubble. Além disso, algumas piadas foram emprestadas de outra animação, a "Stone Age Cartoons", como o uso de jornais feitos de pedra e de animais pré-históricos como eletrodomésticos. Influências à parte, Fred, Wilma, Barney, Betty, o dócil mascote Dino e os bebês Pedrita e Bambam conquistaram público de todas as idades em 80 países. "Os Flintstones" foi dublado em 22 idiomas.
A maior – talvez única – controvérsia em que a série se envolveu em seus 166 episódios originalmente produzidos foi a veiculação da propaganda da marca de cigarros Winston nos primeiros capítulos, quando o programa era voltado para o público adulto (Fred e Wilma apareciam fumando nos créditos finais dos episódios). Mas a partir da terceira temporada, "Os Flintstones" mudou seu público-alvo para jovens e crianças, e com a adição dos bebês Bambam e Pedrita entre os personagens, o principal anunciante da série passou a ser a marca de sucos Welsh's e os episódios seguiram uma orientação mais familiar.
- PERSONAGENS -
Relembre abaixo os personagens principais de "Os Flintstones":
- Fred Flintstone: Este bonachão trabalha como "operador de dinossauro" na Slaterock Gravel Company, gerida pelo Senhor Pedregulho. Sua comida preferida é o Brontoburguer (hambúrguer de brontossauro). Ele é casado com Wilma Flintsone e juntos tem uma filha, Pedrita. Ele é o dono da inconfundível expressão "Yabba Dabba Doo".
- Wilma Flintstone: Dona-de-casa, já pensou em trabalhar fora, mas seu marido Fred é contra a ideia.

- Barney Rubble: Melhor amigo de Fred, acompanha o protagonista em suas peripécias, sempre a contragosto. É casado com Betty, com quem cria o filho adotivo Bambam.
- Betty Rubble: Esposa de Barney, Betty sempre se junta a Wilma para tirar os homens de enrascadas.
- Bambam Rubble: filho adotivo de Barney e Betty (foi deixado à porta da casa dos Rubble quando bebê). Possui grande força e é apaixonado por Pedrita desde criança.
- Pedrita Flintstone: filha de Fred e Wilma, casa-se com Bambam quando cresce.
- Dino: Dinossauro domesticado, mascote da família Flintstone. É dócil como um cãozinho.

5 de novembro de 2010, às 10:00h

Luiz Gonzaga do Nascimento veio ao mundo em 13 de dezembro de 1912, numa fazenda da zona rural de Exu, no estado de Pernambuco. O pai do menino, seu Januário José Santos, trabalhava como lavrador num latifúndio e tocava uma sanfona de oito baixos nos tempos vagos. Foi através deste instrumento que o pequeno Luiz despertaria interesse pela música e, após aprender a tocar com o pai, passaria a se apresentar em feiras e bailes antes mesmo de chegar à adolescência. Já aos 18 anos, um fato inusitado transformaria os rumos de sua vida: Luiz Gonzaga se apaixona por Nazarena, uma garota da região, mas o pai dela, um coronel, não aprova o romance. Enfurecido, o jovem chega a ameaçá-lo de morte. Ao saber do ocorrido, seu Januário aplica uma surra no filho que, revoltado e desiludido, foge de casa e ingressa no exército em Crato, no Ceará.
Servindo como voluntário, Luiz Gonzaga atravessa o Brasil viajando por diversos estados, até que em Juiz de Fora (MG) reencontra o instrumento que tanto o fascinou na infância ao conhecer Domingos Ambrósio, soldado e sanfoneiro, que lhe dá lições musicais bastante importantes para a definição do futuro profissional do jovem pernambucano. Decidido a investir numa carreira artística, Luiz Gonzaga deu baixa do Exército em 1939, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Com uma sanfona recém-comprada, ele passou a se apresentar em ruas, cabarés e bares cariocas, tocando boleros, valsas, choros, tangos e sambas. Percebendo a saudade dos migrantes nordestinos pela música característica de sua região, Luiz Gonzaga passou a compor canções explicitamente regionalistas, como os chamegos “Pés de Serra” e “Vira e Mexe”, o que lhe garantiu um contrato com a Rádio Nacional após uma aplaudida apresentação no programa de Ary Barroso. A partir de então, o pernambucano começou a se popularizar como atração radiofônica, difundindo a música e a cultura nordestina como nenhum outro artista havia feito até aquele momento.

A fama crescente de Luiz Gonzaga no cenário musical brasileiro lhe rendeu tanto prestígio que ele foi convidado na década de 40 para trabalhar como sanfoneiro na gravação de discos de outros artistas. Posteriormente foi contratado pela Rádio Clube do Brasil e pela Rádio Tamoio, nas quais se apresentava como solista. Assumindo a nordestinidade, Luiz Gonzaga se tornou um ícone do forró, um autêntico representante do cancioneiro popular nordestino, e passou a se caracterizar como vaqueiro, com direito a um chapéu de couro que logo se tornou símbolo de sua música. Sob a alcunha de Rei do Baião, Gonzagão narrava para todo o Brasil ouvir as dores, os anseios e as esperanças de um povo muitas vezes ignorado pelas elites do sul.

Aos poucos, conquistando cada vez mais respeito e espaço na mídia nacional como instrumentista, o sanfoneiro também se arriscou a compor e cantar suas próprias músicas, que transitavam entre xaxados, baiões e cocos, todos popularizados através de seus discos e suas apresentações. As parcerias de Gonzagão com Miguel Lima e Humberto Teixeira criaram canções eternizadas na voz marcante do pernambucano, como “Penerô Xerém”, “Dezessete e Setecentos”, “Baião de Dois”, Paraíba”, “Juazeiro”, e “Asa Branca”, uma espécie de hino do Nordeste, uma crônica atemporal sobre as dificuldades do sertanejo na escassez do semi-árido brasileiro. Gravada em 1947, “Asa Branca” teria várias versões nas vozes de outros artistas.

Em 1945, nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, filho de Gonzagão com a cantora e dançarina Odaléia Guedes. Com música nas veias, Gonzaguinha também iria enveredar pela carreira artística, tornando-se um prestigiado cantor de MPB. Três anos depois, o sanfoneiro se casaria com a professora Helena Cavalcanti.

Em 1950, Luiz Gonzaga firmou parceria com Zé Dantas, com quem compôs sucessos como “Cintura Fina”, “O Xote das Meninas”, “ABC do Sertão”, e “A Volta da Asa Branca”, que caracterizaram sua fase áurea na cena musical brasileira, quando o baião estourou em todo o país. Porém, com a ascensão da bossa nova, a agenda de shows do sanfoneiro se deslocou para o interior, onde sua popularidade nunca declinou. Nos anos 70, a carreira de Gonzagão ganhou fôlego com regravações de canções suas por jovens músicos como Gilberto Gil, Geraldo Vandré e Caetano Veloso, que não escondiam influências do Rei do Baião em suas composições. Na década de 80, a popularidade do sanfoneiro tomou novo impulso através de duetos com Fagner, Dominguinhos, Milton Nascimento, Elba Ramalho e até com seu filho Gonzaguinha na canção “A Vida do Viajante”. Em 1984, o reconhecimento por sua obra viria na forma de um disco de ouro pelo álbum “Danado de Bom”.
Com 56 discos gravados e mais de 500 composições próprias, Luiz Gonzaga morreu no dia 2 de agosto de 1989 no Recife, vítima de parada cardiorrespiratória. Suas músicas abriram os olhos do Brasil para as alegrias e tristezas do povo nordestino e seu legado permanece vivo no DNA musical da região.

5 de novembro de 2010, às 09:05h

No dia 31 de agosto de 1919, nascia, em Alagoa Grande (PB), aquele que se tornaria o maior ritmista da história da música popular brasileira. José Gomes Filho despontou do interior da Paraíba para o mundo, levando suingue, rimas irreverentes e a mistura de ritmos nordestinos sob o pseudônimo de Jackson do Pandeiro.
A carreira artística de José começou a engatinhar quando o músico, ainda garoto, tocava zabumba no grupo que acompanhava sua mãe, a cantora Flora Mourão. O apelido de Jack foi dado por ela, porque achava o filho parecido com o ator norte-americano Jack Perry. Aos 13 anos, o jovem Jack se muda com a família para Campina Grande, onde passou a ter contato cada vez mais próximo com os cantadores de coco e os violeiros, que animavam as feiras livres e fascinavam o olhar atento do garoto de Alagoa Grande.
Percebendo que levava mais jeito com o pandeiro do que com a zabumba, Jackson viaja pelas redondezas com seu instrumento inseparável em busca de sucesso e reconhecimento. Em sua passagem por João Pessoa, nos anos 40, ele adota o pseudônimo Zé Jack, e consegue certa projeção local tocando em rádios e cabarés da capital paraibana. Já nos anos 50, o músico chega no Recife, no estado vizinho de Pernambuco, onde finalmente alcançaria a fama. Apresentando-se na Rádio Jornal do Comércio, Zé Jack é aconselhado a adotar o nome artístico de Jackson do Pandeiro, que causaria maior impacto e chamaria mais atenção quando fosse anunciado. Foi então que em 1953, aos 35 anos, o paraibano grava seu primeiro compacto, que trazia o contagiante xote “Sebastiana”, de Rosil Cavalcanti. Nessa gravação, já era possível notar características que permeariam toda a obra de Jackson, como as improvisações de vocalizações com tempo variado numa mesma música. Com o enorme sucesso do rojão “Forró no Limoeiro”, de Edgar Ferreira, o ritmista se firma como um dos grandes fenômenos musicais no Norte e Nordeste do país, conquistando cada vez mais admiradores, encantados com a criatividade, a virtuosidade e a ousadia daquele genuíno artista popular.
Já desfrutando do sucesso como revelação musical nordestina, Jackson do Pandeiro conhece Almira Castilho de Albuquerque, uma ex-professora que cantava mambo e dançava rumba no Recife. Os dois iniciam um relacionamento amoroso, e ela passa a acompanhá-lo em suas performances, revelando uma admirável desenvoltura nos palcos. Os dois se casariam em 1956 e iriam juntos ao Rio de Janeiro, onde fizeram apresentações em programas de TV e rádio, com passagem em São Paulo. Naquele momento, o Brasil inteiro se deliciava com o Rei do Ritmo e seu estilo único – uma mistura bem-humorada de xote, xaxado, baião, coco, rojão, samba e frevo, que levava a essência da cultura do Nordeste para o resto do país. Não é à toa que, ao lado de Luiz Gonzaga, a majestade nordestina da música brasileira, Jackson contribuiu bastante para a nacionalização de elementos típicos do cancioneiro nordestino.

Depois de firmar seu sucesso em nível nacional com sucessos de grande apelo popular como a embolada “Um a Um” e “O Xote de Copacabana”, o Rei do Ritmo decide morar no Rio de Janeiro com sua esposa Almira, e acaba assinando um contrato com a Rádio Nacional. Na Cidade Maravilhosa, o paraibano demonstra toda a sua versatilidade ao gravar marchinhas carnavalescas como “Me Segura que Eu vou Dar um Troço”, hit no carnaval de 62. Com seu inseparável pandeiro e seu talento inigualável, Jackson conseguiu unir com maestria a malandragem do samba com o suingue das emboladas e dos cocos.
Com o sucesso absoluto nos quatros cantos do Brasil, Jackson e Almira chegaram até a fazer algumas participações em filmes de projeção nacional como “Tira a mão dali”, “Cala Boca Etevilna” e “Minha Sogra É da Polícia”.
Um dos maiores sucessos da discografia do Rei do Ritmo foi “Chiclete com Banana”, que na década de 70, em plena época do movimento tropicalista, foi regravada por Gilberto Gil no disco “Expresso 2222″. A canção, composta por Jackson e o parceiro Gordurinha, defende a diversidade da música nacional (“quero ver o Tio Sam numa batucada brasileira”, diz um dos versos). Outra composição da dupla, o samba-coco “Meu Enxoval”, também seria imortalizada na história da música popular brasileira.
Depois de se desentender e se divorciar de sua esposa Almira, sobreviver à explosão da Jovem Guarda no cenário musical e ter sua genialidade redescoberta pelos artistas da Tropicália, Jackson do Pandeiro atravessa os anos 70 com shows pelo Brasil, mas apesar da apreciação da crítica especializada, não consegue se firmar como astro da MPB, tendo seu nome ligado apenas aos períodos de festas juninas. Em 1981, grava o último de seus mais de 30 álbuns em 29 anos de carreira: “Isso é que é forró”. No ano seguinte, mais precisamente no dia 10 de junho de 1982, o Rei do Ritmo morria em decorrência de uma embolia pulmonar e cerebral em Brasília, em plena turnê pelo país.

“Costumo sempre dizer que o Gonzagão é o Pelé da música e o Jackson, o Garrincha”, disse certa vez o músico pernambucano Alceu Valença. O legado musical deixado pelo Rei do Ritmo, além de ter exportado a cultura nordestina para o mundo, influenciou muitos artistas que estão na ativa, como Lenine, Paralamas do Sucesso, Chico Buarque, Elba Ramalho, Chico César, Leila Pinheiro, Tom Zé e Geraldo Azevedo. Todos esses nomes já regravaram canções de Jackson, que desde seu falecimento é lembrado com carinho especialmente pelos paraibanos, orgulhosos da trajetória brilhante de seu conterrâneo ilustre.

4 de novembro de 2010, às 09:10h

Inês Caetano de Oliveira veio ao mundo em 16 de novembro de 1935 na cidade de São Vicente Férrer, sertão do estado de Pernambuco, e já trazia música no sangue – seu pai, Manoel Caetano de Oliveira, era seresteiro, e sua mãe, Josefa Maria de Oliveira, era cantora de igreja. Logo na infância, a pequena Inês se mudou com a família para Campina Grande, na Paraíba, e foi lá que a garotinha desenvolveu seu gosto pela música e começou a profissionalizar seu talento.
Desde cedo, Inês se encantou com a obra de Luiz Gonzaga, o maior nome da música regionalista nordestina. Veiculadas pelas difusoras de Campina Grande, canções como “Asa Branca”, “Qui Nem Jiló” e “No Ceará Não Tem Disso Não” apresentavam à menina o universo do imaginário sertanejo e da cultura popular ao qual ela tanto se identificava. A partir dos 10 anos, Inês começou a estimular sua paixão pelo canto se inscrevendo em concursos locais de calouros. Para fugir da vigilância dos pais, a garota participava das competições com o nome Maria Inês. Certa vez, ao ser anunciada como Marinês por um locutor, a jovem acaba por adotá-lo como nome artístico, que carregaria por toda a vida.
Após largar os estudos por falta de dinheiro, Marinês se arrisca no mundo das rádios, confiante no potencial vocal que aflorava em sua mocidade e levando consigo um currículo bem-sucedido de participações em concursos musicais. Ingressando na tradicional rádio Voz da Democracia, do bairro da Liberdade, Marinês logo conquista o papel de locutora. A partir de então, ganhando fama e reconhecimento no meio, a cantora passa pelas rádios A Voz de Campina Grande, Cariri e Borborema, demonstrando talento e desenvoltura com seu canto afinado. Em 1952, inicia um relacionamento amoroso com o sanfoneiro Abdias Farias, com quem se casa tempo depois e forma uma parceria profissional que seria batizada de “Casal da Alegria” por uma apresentadora da Rádio Difusora de Alagoas. Ao lado do marido, a aprendiz de Luiz Gonzaga seguia os passos do mestre, levando forró e xaxado para fora dos limites da Paraíba, contagiando o Nordeste com seu carisma.
Convidados para trabalharem na Rádio Iracema, de Fortaleza, Marinês e Abdias viajam ao Ceará, onde conhecem o zabumbeiro Cacau, um velho companheiro de Luiz Gonzaga que procurava oportunidade para ganhar dinheiro com o seu instrumento. Assim, no início dos anos 50, Cacau se une a Marinês e Abdias para formar a Patrulha de Choque do Rei do Baião, destinada a explorar o repertório de grandes nomes da música regional como Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. A partir de então, o trio forrozeiro ganha a região: Marinês no triângulo, Abdias na sanfona e Cacau na zabumba passaram a fazer, espontaneamente, apresentações nas cidades nordestinas onde o Rei do Baião tocaria. A fama da entrosada Patrulha de Choque chegaria aos ouvidos do próprio homenageado, ao qual foi descrito que Marinês era um “Gonzaga de saias”.
O encontro entre Gonzagão e o trio não demoraria a acontecer: a cidade de Propriá, no Sergipe, foi palco do inesquecível momento em que aquela sonhadora cantora de forró conheceria pessoalmente sua maior influência artística. Marinês recorda: “Luiz Gonzaga já estava sabendo que tinha essa cangaceirinha, como ele me chamava, cantando as músicas dele. Ele disse: eu vou lhe ensinar a dançar xaxado porque eu estou precisando de uma rainha do xaxado. Aí ele foi dançar comigo”. Daquele momento em diante, o Rei do Baião se comprometeria a apoiar a Patrulha de Choque, divulgando o trabalho do trio pelo Brasil afora.

Além de conhecer e se apresentar pelas rádios do país ao lado do ídolo, Marinês é oficialmente coroada Rainha do Xaxado pelo próprio Rei do Baião, e a Patrulha de Choque se incorpora temporariamente ao grupo “Luiz Gonzaga e Seus Cabras da Peste”. Em 1957, ao lado de seus inseparáveis companheiros Abdias e Cacau, a cantora grava seu primeiro disco sob o nome de “Marinês e Sua Gente”, com o qual se consagraria definitivamente como um dos maiores nomes do forró e da música nordestina. A sequência de sucessos construiu uma discografia impecável ao longo de sua trajetória artística: canções como os xotes “Peba na Pimenta” e “Pisa na Fulô”; os baiões “Aquarela Nordestina”, “Perigo de Morte” e “Saudade de Campina Grande”; o xaxado “História de Lampião”; a polca “Chegou São João”; os cocos “Gírias do Norte” e “Cadê o Peba”; e as modas de roda “Marinheiro” e “Meu Beija-Flor” encantaram plateias de todo o Brasil, inclusive o fidelíssimo público nordestino, que lotava cinemas, estações de rádio e auditórios para ver a Rainha do Xaxado cantar músicas contagiantes que entrariam para o cancioneiro popular regional.
Atravessando a produtiva década de 60 com participações em filmes e prêmios importantes – como os troféus Euterpe de Melhor Cantora Regional e Melhor Vendagem pelo LP “Outra Vez Marinês”, de 1961 -, a cantora chega aos anos 70 sustentando uma prestigiada parceria com o poeta e compositor Antônio Barros, que colaboraria com uma média de quatro músicas por álbum, como o forró “Na Peneira do Amor” e “Amor Sem Fim”. Outra boa surpresa da década foi o flerte de Marinês com o carimbó, ritmo oriundo do Norte brasileiro que fez grande sucesso por todo o país. “Carimbó do Marajó”, “Carimbó da Vovó Sinhá” e “No Laço do Carimbó” foram canções que adicionaram o suingue nortista ao já eclético repertório da Rainha do Xaxado. Foi em 1976 que Marinês se separou de Abdias, mas os dois continuariam sua parceria profissional nos discos seguintes.

Os anos 80 seriam marcados por mais sucessos de enorme popularidade – como o álbum “Bate Coração” – e parcerias ilustres – como Zé Ramalho e Gilberto Gil. A década seguinte é marcada pelo disco-tributo “Marinês e Sua Gente”, que comemorou 50 anos de carreira da Rainha do Xaxado com produção da aluna Elba Ramalho e reuniu duetos com 13 grandes artistas brasileiros, como Dominguinhos, Ney Matogrosso, Lenine, Chico César, Genival Lacerda, Margareth Menezes, Alceu Valença e Moraes Moreira. Já em 2005, a cantora seria homenageada novamente com um super-projeto: o CD “Marinês Canta a Paraíba” teve patrocínio do governo paraibano e trazia, além de canções com participação da Orquestra Sinfônica da Paraíba, um libreto com imagens e depoimentos de nomes como Paulinho da Viola, Gilberto Gil e Tetê Espínola.

Maria Inês Caetano de Oliveira morreria aos 71 anos em 14 de maio de 2007, após sofrer um acidente vascular cerebral, num hospital do Recife. Artistas de todas as vertentes da música popular brasileira lamentaram profundamente a perda. Gilberto Gil, então Ministro da Cultura, divulgou nota no mesmo dia: “O Brasil perdeu hoje sua rainha do forró, a primeira grande cantora nordestina que aparece nos anos 50, inaugurando um ciclo de ouro da “voz feminina na música do Nordeste”.

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